23/03/2011
(Agamenon Magalhães Júnior)
Deposito na educação minhas maiores esperanças para o resgate do país. É através da instrução vívida e incessante à população que transformaremos a sociedade. Essa verdade é tão óbvia quanto a certeza de que temos muito a fazer a respeito do assunto.
O primeiro ponto a ser considerado deve concentrar força no investimento educacional sem demora, neste momento, agora mesmo. A idiotice ouvida desde sempre de que o “Brasil é o país do futuro” não cola mais porque o “futuro” chegou, passou rápido, virou passado e ainda continuamos com a mesma perspectiva ilusória.
Em reportagem recente, uma grande revista de circulação nacional deixou claro: “À medida que a economia cresce, precisa de mais gente com formação boa o bastante para entrar no mercado de trabalho e assumir responsabilidades rapidamente, para atuar numa nova loja, num escritório em expansão, numa obra em andamento (...). O problema é que não há brasileiros bem preparados em número suficiente”. Justamente por isso as empresas, de diversas áreas e ramos, contratam estrangeiros para os altos cargos.
A solução? Investimento no que está faltando: educação. Mas não nos referimos a qualquer educação ou à educação meia-sola ao qual o brasileiro é submetido há tempos; aludimos ao melhor e ao mais avançado processo educacional possível. Estamos longe desse ideal; entretanto, se não atentarmos para esse problema, o país nunca deixará de sonhar com esse “futuro” que jamais nos chegará.
Há um nível altíssimo de qualificação com que as megaempresas contam para que elas funcionem da forma exata e para que sejam competitivas (num mercado cada vez mais implacável contra quem não se enquadra nesse padrão). Por isso, quando faço críticas à educação atual, condeno-a porque o processo já está caducando e o próprio país precisa mudar.
Assisti a uma entrevista dada pelo empresário Eike Batista, considerado o 8º homem mais rico do mundo e, entre algumas informações sobre mercado e competitividade de trabalho, ele foi categórico: “Sinto dificuldade em contratar brasileiro para a alta cúpula de minhas empresas, por isso pago fortunas a estrangeiros com conhecimento técnico suficiente para minhas empresas estarem entre as melhores do mundo”. O empresário ainda confessou que não pensa duas vezes em “pegar” bons profissionais para si, pagando até cinco vezes mais sobre o salário do concorrente. Onde há bom profissional, ele o “pesca” para seus grupos. Coisas do bom mundo capitalista.
Fiz uma pesquisa na internet sobre a carência de profissionais altamente capazes nas dez melhores empresas privadas do país e comprovei que elas, de fato, estão à procura (às vezes desesperadamente) de especialistas em diversas áreas. Os salários variam entre o muito bom, o extraordinariamente bom e o fora de série. Os valores pagos a funcionários pelas multinacionais, por exemplo, são proporcionais aos dos melhores executivos europeus.
É loucura pensar em milagres econômicos sem a reestruturação do sistema educacional, em todos os estágios. O brasileiro só estará em pé de igualdade com os profissionais estrangeiros quando o processo de educação passar por forte mudança.
Enquanto os países desenvolvidos colocam grande parte de sua receita na área educacional, nós ainda sequer pagamos dignamente os professores. Como pensar em produção científica de ponta ou qualificação profissional de primeiro mundo se falhamos nos requisitos básicos?
O Brasil deve aproveitar o momento de ascensão econômica e rever sua política de educação geral.
(O Jornal, Maceió, sábado, 19 de março de 2011)
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Colaboração:
James Magalhães/Secretário de Comunicação/Sintect-AL