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NOTÍCIAS PARA OS ATENDENTES COMERCIAIS

26/03/2011


 

Minuta de edital bilionário do Banco Postal trás falhas na segurança

Em audiência pública os dirigentes sindicais cobraram mais segurança nas agências, mas presidente do processo de licitação do Banco Postal não quer discutir o assunto, afirmando que a ECT não é banco

Dia 25 de fevereiro a ECT realizou em Brasília uma audiência pública para debater a minuta do novo edital de seleção de instituição financeira para operar o Banco Postal. A empresa fez uma apresentação dos principais pontos do edital e franqueou a palavra para o público presente se manifestar com ideias e sugestões.

Apesar de aberto ao público poucas entidades aproveitaram a oportunidade para explicar o que realmente acontece no Banco Postal e o que precisa ser feito para melhorar. A Fentect e os sindicatos de Ribeirão Preto, Brasília e São José do Rio Preto falaram na defesa dos trabalhadores, principalmente no ponto sobre a segurança, além da distribuição do lucro. Outra entidade que fez uso da palavra foi o sindicato dos bancários de São Paulo que tem o entendimento que os trabalhadores do Banco Postal são bancários e não ecetistas. Pelo lado empresarial falou um representante do Bradesco que fez propostas de mudanças no edital para sobrar mais lucro ao banco e menos para o Correio.

Quem representou o Sintect RPO foi o presidente, Carlos Decourt, que cobrou uma melhora no sistema de seguranças das agências, visando principalmente a vida das pessoas e não o patrimônio, como é feito hoje. Para Decourt a empresa não pode diferenciar as formas de segurança pela matriz de risco, onde é levada em consideração a categoria da agência, a quantidade de moradores da cidades entre outros itens de diferenciação. Para ele "a vida humana é igual em qualquer tipo de unidade, e portanto devem ter o mesmo tratamento".

A presidente da mesa diretora da audiência pública, Flávia Lucia Xavier Almeida, respondeu alguns dos questionamentos na hora e deixou outros para serem respondidos em data posterior. Com relação a segurança ela foi enfática ao afirmar que a ECT é um correspondente bancário e que isso não obriga a empresa a adotar os mesmos mecanismos de segurança das agências bancárias.

Todos os questionamentos foram ancaminhados formalmente e a ECT ficou de responder até o final do mês de março. Apesar da pressa de resolver a questão, o entendimento é de que o assunto deve ser debatido até a exaustão, afinal será um contrato de cinco anos renovado por mais cinco.

 

Prazo de até 72 horas para recolher o dinheiro coloca em risco os trabalhadores

Responsabilidade de recolher o encaixe é do Banco, mas ecetistas realizam esse trabalho em cidades menores

Uma agência dos Correios não pode ficar aguardando até três dias para o carro forte passar. Todos ficam com medo de ficar com um valor alto dentro da unidade. Para resolver esse problema alguns chefes procuram soluções, que na maioria das vezes é irregular.

Na agência de Bonfim Paulista, em Ribeirão Preto, muitas vezes foi o carteiro motorizado que passa na unidade que teve que levar cheques para serem depositados no Bradesco. Esse é um risco que o carteiro não pode ter.

Como os atendentes também não podem ficar correndo esse risco, o sindicato encaminhou à mesa diretora da audiência do Banco Postal sugestão que o recolhimento seja realizado o mais rápido possível e não em prazos de até 72 horas.

 

Correio vai realizar serviço de troca de dólares nas agências

 

Atividade vai colocar em risco, ainda mais, os trabalhadores dessas agências que serão casa de câmbio

 

Não estando contente com o risco que os atendentes sofrem com o serviço de Banco Postal, o governo federal resolveu aprovar pelo Comitê Monetário Nacional que a ECT sirva de Casa de Câmbio, ou seja, poderá comprar e vender moeda estrangeira, principalmente o dólar.

Se as agências dos Correios já eram visadas pelos bandidos, agora serão ainda mais. Essa medida representa mais risco e mais serviço aos atendentes comerciais. É necessário uma discussão ampla sobre esse assunto e não simplesmente implantar visando o público que usará esse serviço principalmente com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíadas de 2016.

Enquanto os atletas recebem medalhas no peito os trabalhadores dos Correios recebem tiros. No papel o projeto é bonito, mas no dia a dia a situação é outra.

 

Muitas diferenças entre ecetistas e bancários em um serviço parecido

 

Atividade fim do Correio não é serviço bancário, mas é preciso oferecer segurança e condições de trabalho

Os trabalhadores dos Correios não são bancários, mas merecem ter segurança igual. Engana-se quem acredita que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos Bancários é melhor que o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos ecetistas. Existem pontos vantajosos e outros nem tanto nos dois instrumentos.

É preciso saber diferenciar os dois acordos coletivos de trabalho e lutar para melhorar o ACT dos ecetistas. Um grande erro está sendo cometido por algumas entidades sindicais de trabalhadores dos Correios que buscam na Justiça a aplicação da CCT dos bancários, pois se por um lado reduz a jornada de trabalho, por outro perde algumas conquistas históricas de nossa categoria.

O SINTECT fez um quadro com as principais diferenças entre os dois acordos. Acompanhe você mesmo e verifique as vantagens e desvantagens de cada um.

Bradesco fatura R$ 845 milhões só com tarifas de contas do Banco Postal

 

Mais de 10 milhões de contas corrente e de poupança foram abertas no Banco Postal desde 2002.

No ano de 2010 o Banco Bradesco teve um faturamento com as taxas cobradas do Banco Postal de R$ 845 milhões, dos quais repassou aproximadamente R$ 350 milhões ao Correios. Esse valor é referente apenas as tarifas de manutenção das mais de 10 milhões de contas abertas desde 2002.

O faturamento total é bem maior por causa das tarifas de outros serviços. O Bradesco teve um lucro no ano de 2010 de pouco mais de R$ 10 bilhões, um recorde para o banco. Grande parte desse lucro vem do Banco Postal, pois o Bradesco fecha ou diminui o efetivo de trabalhadores nas agências e continua faturando alto com o Correio, que fica com as despesas de manutenção dos locais e dos trabalhadores.

Na audiência sobre a minuta do Edital do Banco Postal, realizada em Brasília, um dos questionamentos realizado pelo movimento sindical foi com referência ao lucro do Banco Bradesco. Se grande parte do lucro vem do serviço prestado pelos trabalhadores dos Correios, o mais justo é de que o Bradesco efetue a distribuição de seu lucro com os ecetistas.

Com a possibilidade de mais serviços oferecidos nos guichês de atendimento dos Correios, o faturamento será ainda maior para a ECT e pelo banco que ganhar a nova licitação para operar junto ao Banco Postal. É preciso uma mobilização da categoria para conquistar a redução da jornada de trabalho, uma melhor gratificação de quebra de caixa e outras vantagens que os bancários têm, sem abrir mão das conquistas históricas da nossa categoria, como o anuênio, vale alimentação maior e outras diferenças.

 

Colaboração:

Altannes Holanda/Secretário-Geral/Sintect-AL

 


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