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Sangue novo nos Correios

02/04/2011

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Agamenon Magalhães Júnior

 

No ano passado, eu orientei um grupo de alunos que se inscreveu no concurso dos Correios. O desapontamento chegou aos adolescentes quando o concurso foi cancelado e o sonho da primeira atividade profissional caiu por terra.

Há poucos dias, a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), de novo, abriu inscrições para concurso visando ao preenchimento de diversas vagas na empresa. Meus alunos que em 2010 investiram dinheiro em cursinho ou pagaram caro professor particular (e, relembrando, não fizeram concurso) me procuraram apreensivos com as perguntas: “Será que vale a pena a gente tentar novamente esse processo seletivo?”, “O que você, professor, nos aconselha?”

Minha resposta a eles foi um “não” bem firme; depois, arrependido, lhes dei uma palavra mais madura: o “depende” se garantiu como o caminho mais consciente. Se o candidato não for muito exigente com o ambiente de trabalho ou se ele quer apenas estabilidade (se afastando do fantasma do desemprego), talvez seja interessante concorrer a uma vaga para determinado cargo; se o candidato, todavia, exigir bons salários, uma empresa organizada, cheia de perspectivas para o funcionário e preocupada com a eficiência de seus serviços, ele deve pensar duas vezes antes de meter a cara nessa furada, porque a decepção pode chegar antes do primeiro ano de trabalho.

Os problemas estruturais dos Correios são tão graves que chegam a ocupar boa parte dos noticiários. Na mídia, a instituição só aparece sufocada por reclamações dos próprios funcionários (que reivindicam há muito tempo a contratação de mais carteiros) e, também, por queixas da população, que já está saturada de pagar, por exemplo, contas depois da data de vencimento. O constante atraso na entrega de correspondências é parte (pequena) de um conjunto de queixas contra os Correios. O descontentamento com os serviços se generalizou – a ponto da sociedade não confiar mais nos serviços da instituição.

Um dos problemas dos Correios que chamam nossa atenção talvez seja a quantidade de assaltos a suas agências apenas agora no início de ano. A primeira página de O JORNAL estampou a notícia em 26 de março: “Só este ano, onze agências dos Correios foram assaltadas em Alagoas”.

Se mal estamos começando o ano de 2011, dá para imaginar com que estatística negativa a empresa chegará a dezembro. À simples vista, pode-se pensar no problema da violência como uma questão para a Secretaria de Defesa Social resolver; entretanto, o assunto não se resume ao simplismo exposto. O sindicalista James Magalhães, secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Alagoas, tem sobre o caso uma opinião mais incisiva: “Tão lamentável quanto os assaltos ocorridos nos últimos dias nas agências dos Correios, é perceber o quanto a direção da ECT sempre foi (e é) insensível à segurança dos carteiros e, não menos grave, à da população. O próprio delegado da Polícia Federal relata que uma das dificuldades de controle da violência é a baixa qualidade das câmeras instaladas nas agências, fato cuja evidência desmente a diretoria regional, que insiste em dizer que faz constantes investimentos no setor. A direção regional, numa reportagem, chegou a declarar que algumas agências possuem ‘detectores de metal’! Onde? Em que agência existe o aparelho? Não dá para levar a sério quem tenta passar como verdadeira uma bobagem desse tamanho”.

Se os funcionários da empresa estão insatisfeitos com sua administração - o que diriam os que estão decepcionados com a péssima prestação de serviço dos Correios?

Os Correios têm papel fundamental para a sociedade, suas atividades, quando bem realizadas, dão conforto e segurança aos cidadãos. Por isso, mais do que apenas fazer críticas a este órgão, torço para que o novo recrutamento de profissionais também seja uma chance para a empresa se renovar.

                           

Texto publicado na Edição deste sábado (02/04/2011) de "O Jornal" e também na internet: www.ojornal-al.com.br


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