16/05/2011
Agamenon Magalhães
Meu sentimento de repulsa pela política se resume nessas palavras de Rachel de Queiroz: “Os ‘donos’ do Brasil se embalam portanto numa falsa segurança. Pois se há país sem dono, é este. Se há país desenganado, envergonhado em si mesmo, vencido, faminto, nu, doente, analfabeto, irritado, é este”. Diga-se, “donos” é sinônimo de “gestores públicos”.
O país está passando por uma crise política tão grande que o enfraquece cotidianamente. Por isso, até entendo por que a população sente nojo quando o assunto é política (eu também sinto essa repugnância pelo que vejo sempre), só não existem razões, por mais fortes que elas sejam, para se duvidar do poder da transformação popular. No coração da sociedade ainda vive, mesmo que meio adormecida, a vontade de viver num país onde a política não seja esta esculhambação, onde os políticos trabalhem para o povo e se tenha a segurança de que as leis sejam aplicadas para todos – independente da classe social.
O questionamento sobre o assunto tem perguntas claras e respostas óbvias: De que setor público a população se orgulha? Com quais escolas públicas os pais podem contar para proporcionar aos filhos educação de qualidade? Que hospital público é tão equipado a ponto de atender com dignidade a população carente? E os planos de saúde... eles retribuem ao consumidor boa cobertura proporcional às suas taxas altíssimas? E quem se sente seguro contra os marginais e confia na segurança pública quando dela precisa?
No fundo, estamos todos no mesmo barco, ninguém está seguro: nem os políticos, com seus carros blindados e suas mansões fortificadas, estão livres do caos no qual eles mesmos meteram a todos nós; muito menos a população se sente protegido dos males do cotidiano e passam a viver na Lei da Selva (na qual impera o “cada-um-por-si-e-Deus-por-todos”).
Para todas as perguntas, a mesma negativa. E para quem, depois delas, ainda se pergunta qual a relação da política com tantas áreas diferentes – a resposta é: a mais estreita possível. Total.
A população possui que armas para lutar contra essa desordem social que se espalha (e se fortifica) em todo país? A Justiça. A mesma “Justiça” que solta político corrupto e safado quando é pego com as mãos no dinheiro público.
Os casos de roubalheira política revelados pela imprensa, cada cidadão morrendo à míngua na porta de hospital, toda criança sem escola decente e todos os tributos vertidos em enriquecimento particular – todo esse conjunto de aberrações, afinal, forma o Brasil atual, cuja definição dos próprios políticos está “em desenvolvimento e sendo exemplo para os países mais ricos”. Isso deve ser alguma piada de extremo mau gosto... nem para a palhaçada (circense, claro) eles não têm talento...
A única proteção que nos resta é o voto. Por que não dar uma banana (bem grande) para o político miserável que nos pede voto e, na primeira oportunidade, desvia a merenda das escolas? Por que não expulsar da vida pública – tal qual catarro e pus dum corpo precisando de purificação – esse antro de engravatados? Perguntemo-nos o porquê!!
Numa síntese exata, temos a afirmação: político é funcionário público que recebe bem (ou melhor, muito bem) para trabalhar em prol de todos. Sua atividade se resume em encontrar caminhos para o bem-estar social, proporcionar assistência aos menos favorecidos e fazer com que a população se sinta satisfeita com os serviços públicos (mesmo que se tenha de pagar impostos altíssimos para isso).
Quem não se enquadra nesse perfil de servidor público, deve ser deixado de lado – e quem tem esse poder de recusa é o próprio cidadão – com a arte de votar bem e consciente.
Fonte: http://agamenonjr.blogspot.com/