13/06/2011
A queda de braço da Eletrobras com seus funcionários na campanha salarial 2011 está sendo vista por autoridades do governo Dilma como termômetro da negociação de outras grandes estatais, que têm data base no 2º semestre. Os eletricitários da holding e subsidiárias do setor elétrico cruzaram os braços por dois dias esta semana e ameaçam parar por 72 horas na próxima, contra a decisão da estatal de não conceder reajuste acima do IPCA de 6,51%, de maio de 2010 a abril deste ano. Os trabalhadores reivindicam aumento de 11,02%, percentual que soma a inflação medida pelo Dieese à elevação do consumo de energia, segundo Emanuel Mendes, diretor do Sindicato dos Eletricitários do Rio e da Associação de Empregados da Eletrobras (Aeel). Ao contrário de anos anteriores, quando os salários tiveram ganho real, este ano, a estatal só está disposta a repor a inflação. Nos bastidores comenta-se que a empresa segue orientação do governo, preocupado com a pressão dos gastos em ano de ajuste fiscal. O Ministério do Planejamento nega a determinação. A portaria que estabeleceu os cortes de R$50 bilhões no Orçamento de 2011 não alcança estatais e não há referência a salários. Em Brasília, contudo, o movimento dos eletricitários vem sendo acompanhado com atenção. A posição da Eletrobras conta com a aprovação do governo. Há intenção de que o acordo próximo da inflação, se confirmado, sirva de parâmetro nos acordos coletivos dos funcionários dos Correios, cuja data base é agosto, além de bancários e petroleiros, ambas em setembro.
FONTE: Jornal O Globo (08/06/2011)
Colaboração: James Magalhães/Secretário de Comunicação/Sintect-AL