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"Fábulas da vida real"

06/10/2011


 

 

Há um mundo lá fora. Foi iniciada a 22 dias uma campanha salarial com um povo de alma jovem, cheia de esperança e pulsante pelo grito firme que ecoava em coro uniforme: “Queremos salário!!!” Providos de grande energia. Juntamos nossas armas, abraçamos nossos companheiros de guerra, avisamos nossas famílias que a luta estaria por vir e que a vitória seria maravilhosa. Já havíamos movido céus e terras antes, lutamos contra titãs que nos oprimiram por décadas e passamos por todos. Batalhadores como somos, fomos a peleja certos de que conosco estariam todos que sempre nos amaram e por nós lutaram. Grandes líderes já haviam jurado sua lealdade na defesa desse exercito de homens e mulheres que incontestavelmente iriam receber o bem que mereciam. Os inimigos estavam mortos e a paz reinava. Há um mundo lá fora e ele não é assim. Infelizmente, este mundo não é assim.

 Como tantos, seguimos nessa luta imaginando que encontraríamos uma mera rotina ao nos lançarmos à greve. 3 dias, diziam alguns. Não precisa de mais do que até sexta, diziam outros. Onde está o inimigo??? Bradamos em alto e bom som. Pois bem, o inimigo sorrateiramente mostrou sua face. Primeiro disseram que era intriga do grande ego do ministro Paulo Bernardo que envaidecido este decretava o ferimento mortal aos grevistas com o corte dos dias parados. Resistindo a esta afronta nossos heróicos grevistas permaneceram firmes na luta.

                Ao amanhecer da terceira semana surgi um fato novo. Há boatos de traidores entre nós. Mas como é possível isso se somente temos amigos e todos gostam de nós??? Os partidos que hoje mandam no governo federal sempre nos amaram e a eles juramos nossa lealdade por ter sido estes que nos deram tudo o que temos. Nossos negociadores são íntegros e a justiça está do nosso lado.

Não vendo muito resultado solicitamos reforços: o congresso nacional, eleito por nós nos salvaria e nossa presidenta assim que retorna-se de sua viagem colocaria tudo em seu eixo. Mas há um mundo lá fora e ele não é assim. Infelizmente, este mundo não é assim.

                Vigésimo dia de greve. Tensos, somos apresentados a possibilidades ruins e outras piores. Alguns pseudo líderes já falam em aceitar migalhas, o reforço, do congresso e da presidenta Dilma não veio, pois fomos considerados traidores do grande plano de desenvolvimento da nação e como traidores, merecemos ser exemplarmente punidos para que outros não se insurjam. Olhando no horizonte já podemos ver a silueta de nosso real oponente. E para muitos, o que era suposição se mostra verdade. Com voracidade o governo federal usa de todas suas armas possíveis contra os trabalhadores, passa por cima de liminares na justiça, decreta que seus asseclas sindicais tomem providencias para matar a greve e julga que desistiremos da luta diante das adversidades. É, mas após um breve espanto, reunimos forças para esta que será a batalha derradeira desta greve.

 O campo já foi escolhido e o exército está a postos. De forma rasteira, o nosso mais avançado posto de comando mostram suas verdadeiras faces ordenando rendição, porém os guerreiros grevistas de forma esmagadora se recusam a se render. Nosso inimigo ferido jura que vai nos matar pela fome e sede ao cortar nossos tickets, ameaça aumentar ainda mais o corte aos nossos salários e esbraveja maldições contra nós. Com fé, nos postamos firmes para mais esta luta, agora olhando bem nitidamente quem são nossos verdadeiros adversários.

                Senhores e senhoras, esta história ainda terá um final ao qual ninguém conhece.

O mundo lá fora aguarda, especialmente os que estão neste embate precisando de ganhos reais em suas vidas. Então chega de histórias e tons poéticos. O mundo lá fora nos exigi ação e no mundo real nos vai ser exigido mais inteligência, astúcia e menos ingenuidade. Afinal de contas, o inimigo sempre nos enganou com histórias de contos de fada onde o PT era o moço bom e que a categoria era a donzela indefesa a ser salva. O mundo lá fora está cobrando o preço de nossa confiança cega e nós cobraremos a conta deste governo que por muitos anos nos enganou.

Senhoras e senhores, o nosso maior inimigo o tempo todo foi o PT de Wagner Pinheiro e Paulo Bernardo.

Se vamos ganhar essa guerra? Não sei, o TST decidirá. Só tenho certeza de uma coisa: ESTA CATEGORIA NUNCA DESISTIRÁ DA LUTA E TENHO MUITO ORGULHO DE FAZER PARTE DELA.

                                                                                                        

Wilson Araújo, CARTEIRO DE São Luiz do Maranhão.

 


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