09/10/2011
BRASÍLIA - O comando da Federação Nacional dos Trabalhadores em empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que tem centralizado as negociações dos trabalhadores com os Correios, classificou como "péssimo" o resultado da audiência realizada no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Segundo o sindicalista José Gonçalves, do comando da Fentect, a direção dos Correios foi "intransigente" e não cedeu nenhum pouco nas negociações. Gonçalves também afirmou que a ECT já está descontando os dias de greve dos salários de trabalhadores.
"A situação é difícil. É importante esclarecer que os Correios não estão cumprindo seu dever. A empresa descontou sete dias do salário das pessoas, sendo que a decisão sobre isso não foi tomada", disse ao Valor.
A direção da Fentect também criticou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "O ministro deveria ter entrado no processo de negociação. É lamentável o que está acontecendo. Tudo isso poderia ter sido evitado se o ministro tivesse participado das negociações, o que não aconteceu."
Com a rejeição da proposta discutida hoje no TST, o dissídio coletivo da categoria deverá ir a julgamento pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na próxima terça-feira. Isso não significa, porém, que os trabalhadores retornarão ao trabalho no dia seguinte.
"A próxima quarta-feira que vem é feriado religioso e não vamos trabalhar. Teremos assembleias na quinta-feira para analisar decisão do TST. Quem vai decidir sobre o fim da greve são os trabalhadores", disse José Gonçalves, do comando da Fentect.
A proposta rejeitada previa reposição da inflação de 6,87% retroativa a agosto e ainda um aumento real de R$ 80 a partir de outubro. Nas reivindicações da categoria, que tem sua data-base em agosto, os trabalhadores pedem aumento salarial linear de R$ 200, reposição da inflação em 7,16% e piso s alarial de R$ 1.635.
(André Borges | Valor)
FONTE: Valor Online (07/10/2011)