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Infraero terá que pagar metade da privatização dos aeroportos

14/02/2012


 

Estatal pagará cerca de 12 bilhões para perder controle de Viracopos, Cumbica e Brasília

 

Escrito por: Valdo Albuquerque/Hora do Povo

 

A privatização dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília se  mostrou, sob todos os aspectos, um tremendo prejuízo para o país. Além  de repassar o controle para grupos privados dos aeroportos mais  rentáveis, junto com o Galeão, a privatização ainda vai obrigar a  Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) a bancar  49% do pagamento das outorgas de R$ 24,535 bilhões. Ou seja, a estatal  vai desembolsar cerca de R$ 12 bilhões para perder o controle desses  aeroportos.

Segundo informou a própria Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os  valores serão pagos pelas três sociedades de propósito específico  (SPEs) – empresas privadas -, formadas pelos consórcios vencedores dos  leilões de cada aeroporto, com 51% do controle, e a Infraero com 49%: “A  Infraero só é impactada pelo pagamento da contribuição quando da  aferição dos resultados da concessão. Logo, os pagamentos das  contribuições são devidos pela concessionária e deverão sair de seu  caixa, independentemente de sua composição societária”.

A partir de 2013, o pagamento do valor do leilão será efetuado em  parcelas anuais ao longo dos diferentes prazos de concessão, corrigidas  pelo IPCA, ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Os recursos sairão  das receitas geradas nos aeroportos, advindas de tarifas cobradas de  companhias aéreas e de passageiros, estacionamentos, hotéis e aluguel de  lojas. Ou seja, dessas receitas, primeiramente serão pagas as parcelas das outorgas e de investimentos, para depois se distribuir os lucros.  Contudo, ao vender os aeroportos mais lucrativos corre-se o risco de o  Estado brasileiro ter de injetar dinheiro nos aeroportos que não são  lucrativos, 55 ao todos, bancados atualmente pelos 12 que dão lucro,  entre os quais os três já privatizados.

Com o dinheiro da Infraero já garantido, uma vez que o edital da Anac  estabeleceu que a estatal entraria com 49% dos recursos, os consórcios  se sentiram livres para elevar as ofertas pelos aeroportos, com preços  mínimos para lá de subavaliados. Assim, a Invepar – formada pela OAS e  os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, juntamente com a estatal  sul-africana ACSA - adquiriu o aeroporto de Guarulhos por R$ 16,213  bilhões, cujo preço mínimo era de R$ 3,4 bilhões.

O aeroporto de Brasília foi empalmado pelo consórcio formado pelo grupo  Engevix e pelo argentino Corporación América, por R$ 4,5 bilhões, que  tinha um preço mínimo fixado em R$ 582 milhões. Viracopos foi  açambarcado pelo consórcio formado pela Triunfo Participações, UTC  Participações e a francesa Egis Airport Operation por R$ 3,8 bilhões,  com preço mínimo de R$ 1,5 bilhão.

É bom registrar que a Infraero não participou dos leilões, não fez  lance nenhum e ainda terá que arcar com o ensalsado ágio médio de 347%  na privatização dos aeroportos.

Em resposta uma reportagem da revista Veja, a Infraero demonstra que  não havia necessidade nenhuma em privatizar os aeroportos, que teve como  um de seus pretextos a realização da Copa do Mundo. Diz a estatal que  estavam previstos investimentos “da ordem de R$ 6,4 bilhões – constantes  do PAC - até 2014 em aeroportos relacionados com a Copa-2014 e demais  aeroportos”.

Sobre a acusação da revista de que o Estado brasileiro não teria  “capacidade nem recursos em volume suficiente para custear as obras de  ampliação dos aeroportos já existentes e para a construção de novos”, a  Infraero afirmou: “É, no mínimo, controverso afirmar que o Estado  brasileiro não tem capacidade para construção de novos aeroportos no  ritmo exigido pela demanda atual e futura, se a Rede existente foi  totalmente construída por este mesmo Estado, por meio da mesma Infraero.  Por outro lado, não há falta de recursos, que estão assegurados para os  investimentos a curto, médio e longo prazos”.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA),  Francisco Luiz Xavier de Lemos, “a questão dessas privatizações é que  toda a rede Infraero que é composta por 67 aeroportos, 83 grupamentos de  navegação aérea, diversos terminais de carga, tudo isso é garantido sem  aporte nenhum do governo, é tudo com recurso próprio, da própria  Infraero. E só 12 aeroportos brasileiros são lucrativos”.

No mundo, 85% dos aeroportos são administrados pelo Estado. A Infraero é  a segunda maior operadora de aeroportos em número de terminais e  terceira em número de passageiros.

Para viabilizar os leilões, os aeroportos de Cumbica (Guarulhos),  Viracopos (Campinas) e Juscelino Kubistchek (Brasília) foram incluídos  no Programa Nacional de Desestatização (PND), através do O Decreto nº  7.531/2011.

 

FONTE:

http://www.cut.org.br/destaque-central/47299/infraero-tera-que-pagar-metadedaprivatizacaodosaeroportos?utm_source=cut&utm_medium=email&utm_term=informacut&utm_campaign=informacut

 


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