25/02/2012
*Abraão Ferreira da Silva
O CDD Ponta Verde é uma unidade de distribuição domiciliar dos Correios localizado em uma das áreas mais nobres da cidade de Maceió. Por incrível que pareça esta unidade opera em uma casa improvisada. Não possuímos as menores condições de trabalho, tudo por aqui beira o caos: localização péssima, sem estacionamento, sem monitoramento e segurança alguma. A área é limitada para atendimento ao público, o local para armazenamento de objetos é desproporcional ao grande volume recebido e a quantidade de funcionários para tratá-los é insuficiente. As máquinas e equipamentos estão obsoletos e para completar estamos reféns de um sistema de refrigeração caótico, de um teto com infiltração e de paredes com mofo.
O layout da unidade está totalmente despadronizado, a internet por aqui é LENTA-NET ou TARTA-NET. Antes de sairmos para a distribuição precisamos fazer nossas refeições, mas o refeitório é uma negação. Pra completar ele e nosso vestiário ficam no piso superior com refrigeração crítica e segurança precária.
O processo de TD por aqui tem pelo menos 10 falhas notórias, a saber: abastecimento irregular, método irregular, modelo ergonômico de triagem irregular, objetos ligados, endereços que não constam na lista de triagem, volume da carga incompatível com a quantidade de objetos ditos em notas, ausência do SO, faltam luvas de dedos, esponjas para molhar o dedo, ligas e EPI’s. As bicicletas estão sucateadas e as motos mais ainda.
Entretanto, sobram despreparo, desrespeito, bisbilhotagem e um nítido atentado à dignidade e aos direitos individuais de cada cidadão e cidadã, trabalhadores e trabalhadoras deste Centro de Distribuição. Não obstante é sabido de todos que esse tal “SAP" entrega aos gestores, bem no início das atividades, uma lista com suas vítimas. Quando falo em vítimas estou confrontando o quadro caótico de infraestrutura oferecido para que esses valentes trabalhadores executem suas tarefas, bem como atendam as perspectivas do MONSTRO-INCONVENIÊNCIA, aqui conhecido como SPA.
Anacronismos a parte, atualmente as condições de trabalho do CDD Ponta Verde nos remetem ao Brasil colonial e a seu vil modelo de escravidão: nele observamos o senhor de engenho, dono de tudo e de todos ambicionando grandes feitos pessoais. Porém, para garantir tais realizações dispõe da “mão-de-obra escrava”. Por conseguinte, se utiliza de sua "OTORIDADE" para nos fazer cumprir a todo custo suas ordens demandadas.
E assim passamos os dias. No CDD Ponta Verde quando se fala de relações humanas e MOTIVAÇÃO para o trabalho a impressão que temos é que enquanto trabalhamos com as condições críticas que a empresa nos oferece, "CAPITÃES DO MATO" nos observam com olhar detalhado e SISO deteriorado.
Vez por outra nos chegam com a promessa de construção de uma nova senzala. Ora, para construir outro CDD e entregá-lo em dois anos primeiro eu planejo e depois eu executo. Mas para planejar é preciso saber: o valor estimado da obra, quanto e qual a qualidade do material, quem são os fornecedores sem esquecer da preciosa mão-de-obra qualificada.
Entretanto, o que se vê por aqui (nos Correios em geral) é um planejamento arcaico e um modelo de gestão desmotivador. E por tabela, paralelamente a tudo isso, o “FEITOR”-SAP continua a nos escravizar e a nos espionar, aterrorizando nossos sonhos e perspectivas de futuro.
Mas o futuro já chegou e em pleno século XXI o CDD Ponta Verde continua uma senzala e nós trabalhadores, escravos do descaso, continuamos clamando por liberdade. Oxalá chegue o dia em que nós a alcançaremos. LIBERDADE, LIBERDADE, LIBERDADE!!!
* É delegado sindical do Sintect-AL e ativista político na categoria dos Correios.