20/08/2012
O grande cerco policial montado pelo BOPE e exército não conseguiu intimidar os servidores públicos federais, estudantes e sem-terras de realizarem mobilizações em defesa da educação, da reforma agrária, do servidor e do serviço público federal.
Dilma veio à Alagoas para a inauguração da nova planta da Braskem. Porém, por onde a presidenta passa enfrenta vaias e manifestações contrárias a política do governo, devido à situação de greve em todo o país.
Em Alagoas, para reprimir as manifestações, os policiais bloquearam todos os acessos ao pólo industrial de Marechal Deodoro. Dois dos três ônibus dos alugados pelo SINTIETFAL, SINTUFAL, ADUFAL, SINDJUS, SINDPETRO e ASSIBGE ficaram na barreira policial na AL 101. Os manifestantes tiveram que se dirigir a pé cerca de 6 km. Mesmo assim, a mobilização dos servidores ficou em um novo bloqueio no girador da entrada do pólo industrial de Marechal Deodoro, a 1,5 km da solenidade preparada para receber Dilma.
Vaias e palavras de ordem marcaram a entrada dos “convidados” à inauguração. Para o representante do Comando de Greve do IFAL, Gerson Guimarães, essa mobilização demonstrou a necessidade de aumentar a pressão sobre o governo para conquistar respeito à categoria e a retomada das negociações. “Hoje mostramos a força da greve dos servidores federias em Alagoas. Outras categorias têm aderido à greve e se somando ao nosso movimento. Apesar da truculência do BOPE, denunciamos a situação de descaso do governo com o serviço público”.
Arapiraca - Os estudantes, técnicos e professores de Arapiraca vieram em caravana com cerca de 80 pessoas para reivindicar segurança à presidenta e ao governador. Esses que há 4 meses estão sem aulas também não puderam ter suas pautas ouvidas e foram reprimidos por nova barreira da cavalaria policial que separou durante um tempo os manifestantes de Arapiraca dos demais servidores em greve. Após negociação, foi permitida a unificação do movimento.
Sem-terra - Os trabalhadores rurais ligados ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) foram à Marechal Deodoro denunciar que a reforma agrária do país, inclusive em Alagoas, está parada.
Segundo, Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi acordado com os movimentos que eles chegariam ao local da inauguração para apresentar suas reivindicações, porém barrados no entroncamento na AL 101 resolveram fechar a rodovia para negociar a aproximação do local. "A determinação é que ficássemos a 300m, fomos impedidos de passar e atiraram na gente. O governo tem que aceitar as pressões e os conflitos, é uma democracia", disse Carlos Lima.
O desembargador Sebastião Costa Filho e os senadores Renan Calheiros e Benedito de Lira estavam na rodovia quando houve o bloqueio por parte dos trabalhadores rurais. Imediatamente o desembargador, presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, ordenou o uso de bombas e tiros de bala de borracha para a desobstrução da pista. Dezenas de manifestantes ficaram feridos e o carro do desembargador e outro da imprensa que estavam no meio do confronto também tiveram danos.
Fonte: ASCOM/Sintietfal