30/10/2012
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O dia amanhece no interior de Alagoas. Minuto a minuto a rotina diária mais uma vez vai se estabelecendo nos 102 municípios alagoanos. Do litoral ao sertão as agências dos Correios vão abrindo suas portas para cumprir sua missão, a de receber e enviar milhares de correspondências para todos os cantos do Brasil.
Em várias cidades envolvidas pelo sol escaldante as agências não são apenas correio, são bancos de longas filas. Ponto de encontro de homens e mulheres simples com cartas e boletos nas mãos. Gente que se conhece e se preserva. Entre eles o atendente comercial, personalidade pública de sobrenome correio é parte desse povo. É raro alguém que não o conheça, que não o respeite pelo status social nas cidadezinhas de Alagoas.
Em meio a esse universo de uma das mais antigas instituições brasileiras, separado por um balcão de compensado, desprotegido de tudo e por todos, o vendedor de selo, o bancário sem banco, abandonado, vulnerável pedindo socorro. É ele quem pela manhã abre as portas da pequena e solitária agência. Esposa e filhos ficaram para trás, envolto a rezas e orações, rogando proteção e a volta com vida aos braços da família. A noite ouviram falar de assaltos, de agressões, do medo em não retornar, do desespero pela insegurança em que foram relegadas as agências de correio na capital e interior.
Este ano, mais de 60 assaltos de grupos armados que adentraram sem resistência pelas vulneráveis agências postais, espalhando o terror. Nelas coabitam homens e mulheres do bem, sem maldades, trabalhadores. As coronhadas e pontapés alimentavam pelo cano frio do revolver o pensamento nos entes queridos, na possibilidade de não mais encontrá-los. O gélido cano da arma engatilhada só não era mais frio que a omissão dos Correios, da empresa que ainda briga na justiça para não oferecer segurança, para não proteger quem a protege, quem a sustenta pelo risco da vida e suor do próprio corpo.
E assim, em nome do lucro para os Correios, continua o atendente comercial, com seu futuro ameaçado pela negligência de sua empresa, sem segurança, sem eira nem beira. Os bandidos vão e voltam, levam tudo, dinheiro e pertences. Levam o sossego de quem logo mais será submetido a tratamento psicológico. Será que eles roubam a alma? Se roubarem foi porque os Correios deixaram.
Todas as manhãs o atendente acorda, tem que trabalhar. Ao levantar é acompanhado pelo medo, pela angustia de tudo se repetir. Seu corpo vai, seu pensamento fica. Olha pela janela e lembra: hoje é 30 de outubro, dia do atendente comercial, dia da esperança de uma vida tranquila, sem assaltos e sem violência. Hoje é dia da vida que segue, do mundo lá fora e do sol que brilha.
Enquanto isso, nas agências, o descaso e a negligência dos Correios para que tudo aconteça de novo.
Homenagem do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios a todos os atendentes comerciais pela passagem de seu Dia.