20/11/2012
O Brasil comemora hoje, 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra. Já se passaram 124 anos do fim da escravidão e da promulgação da Lei Áurea, mas ainda vivemos com a discriminação e o preconceito de raças.
A data não é importante apenas para lembrarmos um dos símbolos dessa resistência, Zumbi dos Palmares, mas para reacendermos o debate sobre o papel do negro na sociedade, criarmos a consciência da negritude e intensificarmos a luta contra o racismo e as desigualdades.
Apesar de alguns avanços, ainda persistem no mercado de trabalho ações similares à escravidão. Sejam pelas péssimas condições de trabalho, por maus tratos ou assédio, muitas empresas ainda tratam seus trabalhadores como objeto de trabalho, sem respeitar os direitos duramente conquistados ao longo da história.
Nos Correios, a situação não é diferente. Estatal que menos valoriza seus trabalhadores, a empresa ainda engatinha na defesa da luta racial. Dos 116 mil ecetistas, apenas 8%, aproximadamente 10 mil, se consideram negros, distribuídos em todas as funções da empresa. Os dados apresentados pela empresa ainda revelam que o estado de Roraima possui o menor índice de funcionários negros, com apenas 1,4% do total de trabalhadores, contrapondo-se à Bahia, que conta com 17% de negros em seu efetivo.
E com o objetivo de defender o trabalhador negro e apontar as denúncias de discriminação racial na empresa, a Comissão da Questão Racial estará atuando para fortalecer a consciência negra dentro dos Correios e garantir os direitos dos trabalhadores. De acordo com Francisco Adão, secretário de Assuntos Raciais, uma das principais metas da Comissão é fazer um mapa racial nos Correios. “Vamos apurar os casos de discriminação dentro da empresa e realizar nosso Encontro Nacional, que fortalecerá ainda mais essa luta contra o preconceito e a favor dos direitos dos trabalhadores negros”, disse.