27/06/2013
Assistir a uma aula de uma
universidade top sem nunca ter chegado perto dela é possível desde 2003, quando o MIT disponibilizou seus primeiros cursos pela internet
. Para 98% dos brasileiros, no entanto, o sonho de fazer cursos de instituições
renomadas como Harvard e Stanford, só pode ser alcançado a partir de março do
ano passado, quando foi lançado o portal Veduca, que oferece videoaulas de diversas instituições do
mundo em português.
A ideia de traduzir lições, amadurecida em 2011 pelo engenheiro Carlos Souza,
32 anos, durante um ano sabático, foi um sucesso. Quatorze meses depois do
lançamento, o Veduca reúne mais de 5.500 aulas, que já foram vistas por mais de
170 milhões de pessoas pelo Youtube. “Observando o movimento mundial de Open
Course Ware, me dei conta que ele não tinha chegado ao Brasil por dois motivos:
só 2% da população brasileira fala inglês fluentemente e as grandes
universidades do País não haviam aberto seus conteúdos”, conta Souza, que
deixou um emprego em uma multinacional para se tornar empreendedor.
O Veduca, segunda startup retratada no série do iG sobre novos negócios em educação
, começou oferecendo vídeos de aulas de instituições estrangeiras, como
Harvard, Stanford, Yale, e MIT, com legendas e de graça. No início deste mês,
já chegou ao seu segundo objetivo, o de lançar cursos de universidades
brasileiras. Os primeiros MOOCs do País (cursos de nível superior aberto,
gratuitos e para grandes público, na sigla em inglês) são ministrados pela USP
e veiculados no Veduca. Videoaulas da Unesp e da Unicamp também já estão
disponíveis.
Para garantir a rentabilidade do
portal, que recebeu aporte de R$ 1,5 milhão de quatro investidores, a empresa
aposta em cobrar pela certificação dos cursos. Ou seja, as aulas sempre serão
de graça, mas quem quiser receber certificados terá de pagar. O Veduca está
negociando parcerias com instituições privadas que farão a intermediação dessas
emissões. “O aluno vai assistir às aulas pela internet, mas poderá fazer uma
prova posterior e receber um certificado validado pelo MEC”, diz Souza.
O empresário, que tem mais três
sócios, diz que o portal não pretende competir com as universidades, mas tem
como objetivo democratizar a educação de alta qualidade. Para isso, aposta em
fazer parcerias com os melhores produtores de conteúdo. “Somos uma empresa de
tecnologia voltada para educação, muito mais do que uma empresa de conteúdo.
Acreditamos em fazer curadoria forte e queremos ter a melhor plataforma de
aprendizado do mundo”, diz.
“Somos uma empresa de tecnologia voltada para educação, muito mais do que
uma empresa de conteúdo. Acreditamos em fazer curadoria forte e queremos ter a
melhor plataforma de aprendizado do mundo."
Perseguindo esse caminho, o Veduca
lançou este ano três funcionalidades tecnológicas que melhoram a experiência de
quem quer aprender pelos vídeos: uma ferramenta que proporciona a interação
entre estudantes do portal, outra de quiz e testes e uma que é inédita, que
permite interação entre o aluno e a videoaula. “É como um caderno vivo, no qual
o estudante poderá fazer anotações no vídeo. Depois de assitir à toda aula, ele
poderá clicar na anotação e o vídeo começa no momento exato em que o professor
está falando de determinado assunto”, explica o fundador do site.
Realidade brasileira
Além da língua, o Veduca também se diferencia de outras plataformas de cursos
online que oferecem aulas de universidades, como o Coursera
e o Edx (plataforma online do MIT e Harvard), por focar em
formações adaptadas à realidade e necessidades do Brasil. Segundo Souza, mesmo
as aulas de universidades americanas não são as mesmas oferecidas nesses sites.
“Eles têm cursos muito avançados, voltados para o contexto dos Estados Unidos,
como aprendizagem de máquina, inteligência artificial. Quem está pronto para
essas aulas no Brasil já fala inglês e pode fazer lá”, diz. O objetivo do
Veduca é oferecer aulas dos melhores professores, mas orientado à realidade do
País.
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