06/07/2013
Participantes do Instituto Postalis,
sindicatos e associações de aposentados do pessoal dos Correios têm procurado a
ANAPAR, revoltados com a possibilidade de ter de fazer contribuições
extraordinárias para cobrir o déficit do Plano de Benefício Definido (PBD). O
plano foi saldado compulsoriamente e, quando isto aconteceu, foi noticiado pelo
Instituto que não haveria mais déficit a ser coberto. Agora aparece nova
insuficiência, causada por prováveis perdas nos investimentos e rentabilidade
abaixo do atuarial. Os participantes dizem nada ter a ver com isto, e têm
inteira razão. Vejamos alguns dos problemas.
O Instituto Postalis, patrocinado
pelos Correios e Telégrafos, foi envolvido em acusação de fraude por parte da
SEC, a Securities and Exchange Comissions, agência reguladora do
mercado de capitais norte-americano. A denúncia aponta desvio de recursos para
paraísos fiscais de operadores brasileiros de mercado residentes em Miami, que
causaram, entre 2006 e 2009, perdas milionárias a dois fundos geridos pela
Atlântica Asset Management, onde havia vultosos recursos do Postalis. Os
operadores tinham, na época, forte ligação com altos executivos do Instituto.
Recentemente, foram lavrados vários
autos de infração contra ex-diretores e ocupantes de cargos gerenciais no
Postalis, apontando gravíssimos problemas de investimentos. As acusações não
são públicas e ainda não tiveram julgamento e condenação final, mas uma simples
verificação no balanço da entidade de previdência dá pistas de onde estão os
problemas. Em vez de investir em títulos do Tesouro Nacional, com risco próximo
de zero, ex-diretores do Postalis aplicaram recursos em debêntures e fundos de
empresas privadas, muitas delas pouco conhecidas do grande público, com risco
elevado. A possibilidade de prejuízos monumentais ao Postalis é grande, e o
relatório de fiscalização deve apontar isto.
Chama atenção o fato de o Postalis
quase não ter recursos aplicados nos grandes bancos brasileiros, nem mesmo nos
bancos públicos (BB e Caixa) controlados pelo Governo Federal, que também
controla os Correios. Algumas destas aplicações, com alto grau de risco de
perda, foram feitas em bancos que quebraram. Fica a pergunta: por que arriscar
perder dinheiro em bancos pequenos e arriscados, se há grandes bancos que oferecem
risco muito baixo e pagam a mesma taxa de retorno?
Há acusações, também, de formação de
pirâmides de fundos. O Postalis aplicou em fundos, que por sua vez aplicaram em
outros fundos, formando pirâmides que sugam recursos do investidor cobrando
taxas de administração sucessivas.
Julgar, penalizar e afastar os
responsáveis – A ANAPAR protocolou pedido junto à PREVIC para dar
agilidade ao julgamento do processo de fiscalização, punir os responsáveis,
inabilitar e afastar os responsáveis por estes investimentos, dentro dos
parâmetros da legislação. Alguns dos envolvidos ainda ocupam cargos no
Postalis, e não podem continuar a arriscar o patrimônio dos participantes.
A ANAPAR vem acompanhando o caso, e
também verifica que a atual gestão do Postalis tem procurado criar mecanismos
de controle com objetivo de impedir que se repitam operações prejudiciais aos
participantes.
Colaboração:
James Magalhães/Secretário de
Comunicação/Sintect-AL