15/07/2013
Sob aplausos dos
trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que ocupavam
as galerias do Plenário desde o início da sessão, o Senado aprovou na noite
desta quarta-feira (10) o projeto de lei que amplia o período de abrangência da
lei que permitiu a anistia por participação em greves - atualmente entre março
de 1997 e março de 1998 - para fevereiro de 2006.
A matéria (PLC 83/2007), que segue para sanção presidencial, dividiu a
base do governo. O líder do PT, Wellington Dias (PI), orientou a bancada a
rejeitar o texto, prevendo que, da forma como foi apreciado, a presidente Dilma
Rousseff terá que vetar o projeto. Wellington argumentou que a lei beneficiaria
5,6 mil trabalhadores a um custo de R$ 1,062 bilhão, o que poderia abalar a
solidez da ECT num período em que o setor de correios passa por dificuldades em
todo o mundo.
- Se, de um lado defendo os direitos dos trabalhadores, tenho que trabalhar com
a responsabilidade de brasileiro - declarou.
No mesmo sentido,
Humberto Costa (PT-PE) criticou pessoas que "estão vendendo ilusões"
porque sabem que o projeto não será sancionado. Ele cobrou razoabilidade da
oposição, que apoia a matéria apesar do impacto financeiro.
- Quando aqueles
que forem à tribuna falar de disciplina fiscal e gastos públicos, vou querer
olhar daqui de baixo cada um deles - afirmou, sublinhando que foi o governo do
PSDB que demitiu e ofereceu planos de demissão voluntária (PDV) aos
trabalhadores.
Aloysio Nunes
(PSDB-SP) contestou Humberto Costa, sublinhando que o projeto é do PT - sua
autora é a atual ministra Maria do Rosário - e teve o apoio entusiástico da
base do governo. Ele enviou um recado a quem cobra coerência.
- Que vá varrer primeiro na frente de sua própria porta.
Humberto Costa
replicou, destacando que chamou os senadores à responsabilidade e que "não
interessa de quem é o projeto, desde que seja importante".
José Pimentel
(PT-CE) chegou a classificar o projeto como absurdo, temendo que a anistia
caracterize readmissão de funcionários - o que, conforme frisou, é
inconstitucional. Por sua vez, Paulo Paim (PT-RS) defendeu a votação
simbólica como forma de ajudar "a ECT e os trabalhadores". Ele lembrou
as conversas que teve com todos os líderes de modo a assegurar aos funcionários
demitidos dos Correios que o projeto seria votado hoje.
- Buscamos sempre
uma saída negociada. Fizemos de tudo em busca de uma alternativa - afirmou,
sendo cumprimentado por Ana Amélia (PP-RS)
e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) por seu esforço pelo entendimento.
Roberto Requião
(PMDB-PR) também discordou da base do governo, afirmando que fica "com os
trabalhadores e não com o Partido dos Trabalhadores", enquanto Inácio
Arruda (PCdoB-CE), também em defesa do projeto, lamentou a falta de um acordo
em torno da matéria.
Cássio Cunha Lima
(PSDB-PB) rejeitou os argumentos de falência da ECT e destacou que o projeto,
por ser de autoria do PT, deixa a oposição "confortável" para votar
em defesa dos trabalhadores. Para Pedro Taques (PDT-MT), o que trouxe prejuízo
à ECT foi o escândalo de corrupção que resultou na CPI dos Correios.
Vital do Rêgo
(PMDB-PB) acredita que a volta dos trabalhadores dotará a ECT de mão de obra
experiente; Jayme Campos (DEM-MT) disse que o governo é "Papai Noel"
de muitos setores e não pode deixar de atender os trabalhadores; Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE) observou que o governo tem demonstrado que tem dinheiro
de sobra "para todos os empresários corruptos"; e Randolfe Rodrigues
(PSOL-AP) criticou o uso do lucro das estatais para o pagamento da dívida
pública.
Apesar do
argumento de Wellington Dias, que sugeriu o adiamento da votação por avaliar
que "nenhum senador" duvida do veto, Benedito de Lira (PP-AL) opinou
que Dilma não estaria disposta a vetar a matéria.
FONTE: Agência Senado
Colaboração: James Magalhães/Secretário de Comunicação/Sintect-AL