11/09/2013
Os funcionários dos Correios rejeitaram, na
última quinta-feira, a proposta de reajuste salarial de 5,27% apresentada pela
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), e ameaçam entrar em greve
por tempo indeterminado em todo o País a partir do dia 18.
Segundo os sindicatos filiados à Federação
Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares
(Fentect), o valor do reajuste proposto não atinge a inflação do período,
medida em 7,13% entre agosto de 2012 e julho de 2013.
Procurada pelo Terra,
a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos negou que a inflação no
período mencionado pela Fentect tenha sido de 7,13%, "Essa era a projeção
de inflação acumulada para julho, o que não se confirmou porque baixou em junho
e praticamente zerou em julho", esclarece o órgão.
Segundo a ECT, o reajuste de 5,27% aplicado
sobre os salários e benefícios, e somado à progressão anual concedida
no ano passado, equivale ou ultrapassa os índices inflacionários do período,
impedindo perdas aos trabalhadores.
"A proposta da empresa ainda contempla:
manutenção de todos os benefícios constantes do acórdão vigente; manutenção da
assistência médico/hospitalar/odontológica nos termos da cláusula 11, constante
do acórdão vigente; vale extra a ser concedido em dezembro/2013 para os
empregados admitidos até 31/07/2013", informou os Correios em nota.
Segundo o órgão, entre os anos de 2003 e
2012, o ganho real dos trabalhadores dos Correios foi de 36,91%, acima da
inflação do período. A empresa afirma ainda que atualmente 65% da receita
de vendas dos Correios é destinada ao pagamento dos salários, benefícios e
encargos.
Além dos 15% de aumento real nos salários, a
categoria também reinvidica segurança nas agências, contratação de 10 mil
funcionários, reposição de perdas salariais no período de 1994-2002,
implementação de Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS)
e redução de jornada de trabalho dos atendentes para 6 horas.
Para proteger seus trabalhadores, os
Correios afirmam que investem na área da segurança adotando medidas como a
aquisição de alarmes, cofres equipados com retardo de segurança, circuito
interno de monitoramento por câmera, contratação de vigias, parcerias com
órgãos de segurança pública e treinamento de funcionários, entre outras." A
empresa também presta acompanhamento médico e psicológico aos empregados que
são vítimas de assalto", ressalta.
Com relação ao pedido de aumento do quadro de
funcionários, a empresa afirma que já trabalha no edital de um novo concurso
público. Em 2011, os Correios realizaram o maior concurso público da
história do Brasil, com mais de 1 milhão de inscritos. "Mais de 19 mil
trabalhadores foram contratados em todo o País nos últimos dois anos e
meio, a maior parte, para a área operacional (carteiros, atendentes e
operadores de triagem e transbordo)", completou o órgão.
"Se a empresa não melhorar a contraproposta,
vamos entrar em greve por tempo indeterminado”, afirma o secretário de Imprensa
e Comunicação da Fentect, James Magalhães. Uma assembleia
geral está marcada para a próxima terça-feira, dia 17; nela deve ser
votada a possível paralisação.