15/09/2013
Sindicalistas contestam dificuldade financeira, alegando que estatal teve lucro superior R$ 1 bilhão em 2012
A direção dos Correios informou, nesta
quinta-feira, que não tem condições de atender às reivindicações dose
servidores que decidiram entrar em greve a partir de hoje.
A estatal argumenta que os pedidos feitos
pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e
Similares (Fentect) causariam impacto de R$ 31,4 bilhões sobre a folha, o que
seria equivalente a "mais que o dobro da previsão de receita para
2013". Ainda de acordo com a estatal, 75% das receitas de vendas são
destinados ao pagamento de salários, benefícios e encargos.
Em nota divulgada na quarta-feira, os Correios
também informaram que, para manter a continuidade dos serviços de entrega de
cartas e encomendas, já adotou medidas como deslocamento de funcionários,
pagamento de horas extras, contratação temporária de servidores e mutirões para
entregas nos fins de semana.
Conforme a Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos, pelo menos seis dos 35 sindicatos da categoria estão em greve. Eles
estão localizados em cinco estados: Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro,
Tocantins e Rio Grande do Sul.
A Fentect, entidade que agrega 29 dos 35
sindicatos que representam trabalhadores da estatal, reivindica 7,13% de
aumento devido à defasagem salarial causada pela inflação recente, mais 15% de
aumento real e R$ 200 de aumento linear para todos os 123 mil servidores. Além
disso, pede 20% de aumento pelas perdas salariais ocorridas desde o Plano Real.
Diretor da Fentect, James Magalhães disse à
Agência Brasil ‘estranhar‘ as estimativas apresentadas pelos Correios. Ele
criticou também a falta de "propostas concretas" em resposta às 93
cláusulas que integram a pauta de reivindicações.
Os Correios acenaram com reajuste de 5,27% sobre
os salários e benefícios, o que, incluindo a progressão anual, ultrapassaria os
índices de inflação do período.
– Essa proposta feita pela empresa não será
aceita – garantiu o diretor da Fentect.
De acordo com a entidade, a empresa teve em 2012
lucro superior a R$ 1 bilhão.
– Segundo documentos repassados pela própria
empresa, há R$ 7 bilhões em caixa. O que não queremos é que a empresa atue como
tem atuado, no mercado financeiro, ou que avance na intenção de comprar a
estatal de correios portuguesa, em vez de investir em trabalhadores e
maquinário aqui no Brasil – disse Magalhães.