19/11/2013
A quadra natalícia promete ser agitada para os CTT – Correios de Portugal. O Governo prepara-se para receber um cheque-prenda a rondar os 500 milhões e os trabalhadores da empresa, em protesto contra a privatização, já disseram que vão parar entre o Natal e o Ano Novo. O preço a que o Governo vai vender as acções dos CTT avalia a empresa entre os 615 e os 828 milhões. Como esta fase de privatização, que vai ocorrer no início de Dezembro, implica a alienação de 70% do capital da companhia, o Estado vai conseguir assim um encaixe que oscilará entre os 430,5 e os 579,6 milhões de euros. Caso se concretize com sucesso esta operação, o Governo consegue um encaixe importante que, já se sabe, vai direitinho para abater à astronómica dívida pública. A operação também permitirá dinamizar o moribundo mercado de capitais, que nos últimos anos perdeu empresas de bandeira como a Cimpor e a Brisa. A OPV dos CTT será a primeira desde a dispersão da EDP Renováveis em bolsa em 2008. O timing da operação também foi bem escolhido, já que o Governo aproveita a euforia à volta da privatização da emblemática empresa de correios britânica, o Royal Mail, para tentar maximizar o encaixe com os CTT. A procura das acções do Royal Mail superou em 20 vezes a oferta e, no dia de estreia, o preço disparou 38%. Tal como no Reino Unido, o Estado português também ficará em mãos, pelo menos a médio prazo, com uma percentagem de 30% do capital da empresa, o que lhe permitirá continuar a ter uma palavra a dizer na gestão. O papel do Estado, não como dono e senhor dos CTT, mas como accionista de referência, será importante para ajudar a pacificar os protestos dos trabalhadores que, além da privatização, contestam ainda a intenção do Governo de transferir o plano de saúde dos reformados e familiares dos CTT para a ADSE.
FONTE: http://www.publico.pt/economia/noticia/nao-havera-cartas-mas-havera-cheques-1613000