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CRÔNICA DO VERÍSSIMO SOBRE DESARMAMENTO

11/02/2009


 

Eu tenho o sono muito  leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente  no quintal de casa.

 

Levantei em silêncio  e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma  silhueta passando pela janela do banheiro.. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei  muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,  espiando tranquilamente.

 

Liguei baixinho para  a polícia informei a situação e o meu endereço.

 

Perguntaram-me se o  ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que  não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

 

Um minuto depois liguei  de novo e disse com a voz calma:

 

- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada  em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!

 

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um  helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos   direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.

 

Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

 

No  meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:

 

-  Pensei que tivesse dito que tinha matado o  ladrão!

 

Eu   respondi:

 

-  Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível!

 

 

 

Luís Fernando Veríssimo.

 


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