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UFAL em defesa da vida

20/03/2009


 

O texto abaixo é de autoria da socióloga e professora da UFAL Ruth Vasconcelos. Estudiosa de tema t o atual, a viol ncia, ela assumiu uma importante iniciativa junto aos estudantes universitários: participar da construç o de uma nova cultura - de paz ativa. N o é uma tarefa nada fácil, mas é, essencialmente, necessária. Aqui est o algumas reflex es sobre as causas da viol ncia. Mais importante, porém, o texto traz uma bela provocaç o a cada um de nós.

A viol ncia no Estado de Alagoas tem raízes históricas; mas, somado a isto, deparamo-nos com uma conjuntura desestruturada e desestruturante que tem favorecido a explos o de uma viol ncia social e interpessoal que vem afetando gravemente a possibilidade da constituiç o de laços e vínculos sociais mais duradouros no seio da sociedade. N o por acaso, a desconfiança, o medo e a insegurança tornaram-se sentimentos hegemônicos entre os sujeitos de todas as classes sociais. Na verdade, esses sentimentos respondem a uma combinaç o de fatores que expressam o desrespeito e o n o-reconhecimento do outro como sujeito de direitos. Nem mesmo há o reconhecimento do mais básico e elementar de todos os direitos: o direito vida, o direito de existir.

Todos sabem, inclusive os gestores do Estado, que a maioria da populaç o alagoana vive abaixo da linha da pobreza; assim como sabem que a maioria n o tem acesso saúde digna, educaç o de qualidade, a moradias minimamente estruturadas, nem muito menos s o contempladas em programas culturais e de lazer fundamentais para a satisfaç o e realizaç o no campo subjetivo. N o tenho notícias da exist ncia de teatros, cinemas, praças públicas urbanizadas, campos de futebol adequados e parques de divers o para atrair a populaç o da periferia em práticas culturais saudáveis. Ao contrário, cada vez mais cedo os jovens est o sendo atraídos pelo consumo da bebida, e de outras drogas mais pesadas, que os destroem, porque, quase invariavelmente, os viciam e os desestruturam subjetivamente. Apesar de n o existir uma relaç o necessária entre drogas e viol ncia, sabe-se do jogo bruto que envolve o tráfico de drogas, que geralmente vem acompanhado do tráfico de armas, dizem os especialistas. Esta é uma realidade que tem atingido os jovens de todas as classes sociais, o que desmistifica a idéia de que a pobreza é a responsável pela viol ncia. Ao contrário, crescem as notícias de jovens pertencentes s classes dominantes que est o envolvidos na criminalidade.

Os bairros de periferia s o, evidentemente, as principais vítimas da viol ncia estrutural, marcada pela insufici ncia de políticas estatais e pela amplificaç o do desemprego. Aliás, a periferia conhece muito bem o Estado, particularmente quando s o "visitados" pela sua força policial; infelizmente conhecem muito pouco o Estado em sua funç o de assist ncia social, basta ver que muitos sequer t m registro de nascimento ou outro documento que lhes permitiriam entrar no rol dos cidad os alagoanos. Os dados evidenciam que é na periferia onde s o registrados os maiores índices de homicídios, com o detalhe de que os jovens s o as principais vítimas e algozes desta realidade. A periferia tem sido o cenário de maiores ocorr ncias de homicídios, mas ninguém está a salvo de ser vítima da viol ncia nos espaços públicos e privados. Vivemos um esgarçamento nos laços sociais que torna a imprevisibilidade da vida ainda mais intensa. Sem querer produzir um discurso sensacionalista ou alarmista, n o temos qualquer segurança de que sairemos de casa e retornaremos com vida. Este sentimento de insegurança foi captado por um Núcleo de Pesquisa de Minas Gerais quando constatou que 70% dos brasileiros acreditam que perder o suas vidas, como vítimas de viol ncia, nos próximos dois anos.

Pois bem, esta realidade é cruel; e a UFAL, através da PROEST, está se propondo a discutir essa problemática junto comunidade universitária através de um Programa Permanente denominado UFAL EM DEFESA DA VIDA. Nosso objetivo é criar um espaço onde possamos construir uma nova cultura política que esteja sintonizada com a vida e n o com a morte. O envolvimento de jovens, estudantes universitários nesta discuss o, através de atividades culturais, políticas e científicas, torna-se fundamental porque esses jovens ser o os futuros gestores do nosso Estado; os futuros profissionais, jornalistas, médicos, engenheiros, sociólogos, psicólogos etc, que atuar o no tecido social, tomando decis es que tanto podem aprofundar esta realidade como transformá-la. O envolvimento de todos é importante também porque a Universidade aglutina hoje em torno de 20 mil pessoas, entre professores, estudantes e funcionários que t m, por dever de ofício, um compromisso com a sociedade. É esta sociedade que nos financia e é a ela que devemos dar respostas através dos nossos estudos, pesquisas e aç es políticas conseqüentes.

Como ato inaugural do Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA, estamos realizando no dia 02 de abril, s 11hs, um ATO PÚBLICO na Avenida Central da UFAL, onde construiremos um GRANDE VARAL com 2.064 camisas/blusas simbolizando as 2.064 vidas perdidas, vítimas de viol ncia, no Estado de Alagoas, no ano de 2008.

A universidade tem uma responsabilidade social; e, nesta hora de tamanha gravidade n o pode ficar silenciosa. A PROEST pretende estimular a produç o de políticas estudantis e acad micas que favoreçam a construç o de uma nova cultura política pautada em valores que defendam a vida e os direitos sociais. É preciso que todos(as) compreendem, de uma vez por todas que, se n o há segurança para TODOS(AS), n o há segurança para ninguém.

Para ajudar a realizaç o do nosso Ato estamos solicitando a doaç o de uma camisa/blusa (usada) para a construç o do referido VARAL.

Definimos como pontos de arrecadaç o das camisas/blusas os seguintes espaços: PROEST, RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO, BIBLIOTECA CENTRAL, ESPAÇO CULTURAL (SETOR DE ARTES), ICBS, CECA E HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.

Desejamos que este Ato inaugural conte com a efetiva participaç o de todos(as) os(as) estudantes, professores(as) e funcionários da UFAL. Mas também contamos com a decisiva participaç o da sociedade civil e dos(as) jornalistas do nosso Estado para divulgar e estimular o envolvimento da juventude n o só na participaç o deste ATO do dia 02 de abril, mas também nas atividades que o Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA desenvolverá durante todo o ano de 2009.

Fonte: www.tudonahora.com.br


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