25/09/2026
O resultado do dissídio coletivo dos Correios trouxe mudanças que representam um duro golpe contra os trabalhadores.
A pedido da direção dos Correios, a cláusula que garantia a liberação de dirigentes sindicais com ônus para os Correios foi extinta, dificultando o funcionamento das entidades e enfraquecendo a capacidade de organização e luta da categoria.
A liberação de dirigentes sindicais não é um privilégio. É um instrumento que permite que trabalhadores eleitos pela própria categoria possam dedicar seu tempo à defesa dos interesses coletivos, participando de negociações, assembleias, reuniões, mobilizações, acompanhamento de processos e enfrentamento dos problemas existentes nos locais de trabalho.
Sindicato sem dirigentes disponíveis é trabalhador com menos representação e menos força para lutar.
Outra mudança foi a retirada da garantia de pagamento dos salários no último dia útil do mês. Alterar a data do salário significa mexer diretamente no planejamento financeiro dos trabalhadores, que têm aluguel, contas, financiamentos e outras despesas programadas de acordo com a data do pagamento.
Embora as mudanças tenham sido estabelecidas no Dissídio, o SINTECT-AL cobra responsabilidade e explicações do governo Lula, já que foi a própria gestão dos Correios, indicada diretamente pelo governo, que solicitou isso na justiça do trabalho.
Sem dúvida, esses ataques enfraquecem a organização sindical e retira uma importante garantia dos trabalhadores — justamente a poucos dias das eleições.
Não é preciso colocar uma placa na porta para enfraquecer um sindicato. Basta retirar as condições para que ele funcione.
É inadmissível que um governo que se apresenta como aliado dos trabalhadores permitir que uma negociação envolvendo uma empresa pública federal termine com o enfraquecimento da estrutura sindical e com a retirada de uma garantia relacionada ao pagamento dos salários.