09/07/2009
Ao escolher deixar a superintendência da Polícia Federal em Alagoas para se candidatar a um cargo político no Estado, o delegado José Pinto de Luna não correrá risco maior à sua integridade física do que o que já correu como delegado. Mas que ninguém tenha dúvidas de que ele correrá outro risco sério: o de ameaçar sua imagem de integridade como agente público.
Como bem definiu o sociólogo alemão Max Weber, a ética da política não é a ética das convicções ou dos princípios pessoais. Em muitas ocasiões, o político é obrigado a tomar decisões que envolvem meios não muito nobres para alcançar os objetivos públicos. (Que fique claro que Weber não se referia aos casos de corrupção do baixo clero do Congresso ou da Assembleia de Alagoas, que nada têm a ver com objetivos públicos.) O que ele queria dizer, na prática, é que muitas vezes um político em busca de um objetivo maior não tem alternativa senão fazer compromissos para alcançar maiorias - ainda que esses compromissos signifiquem alianças com tendências ou partidos políticos dos quais ele diverge.
No caso de Luna, por exemplo, ele terá que enfrentar, a curto prazo, dilemas nada fáceis. Como superintendente da PF responsável pelo inquérito da Operação Taturana, por exemplo, como ele será visto caso saia candidato por um dos partidos citados no inquérito, como o próprio PT?
Como se vê, as armadilhas da política são muitas e essa transição não é nada fácil. Para que ela ocorra da forma mais honesta possível, é aconselhável ao menos que o candidato evite a tentação de vender-se como “não-político” para depois tornar-se exatamente um. Ou seja: a principal ameaça que Luna sofrerá será ignorar que, uma vez candidato, ele não será mais cobrado pelo delegado que foi...
...e sim pelo político que quer ser.
Fonte: http://www.tudonahora.com.br/conteudo.php?id=71