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Instalação de usina nuclear em Alagoas divide opiniões de especialistas

10/07/2009


 

O Programa nuclear brasileiro, através da Eletronuclear prevê a construção de mais quatro usinas, sendo que duas ficarão no Nordeste. Os nove Estados da região já começaram a disputa, pois os investimentos giram em torno de 6 bilhões de dólares, gerando mais de 8 mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionarem a instalação de empresas fornecedoras de materiais onde a usina nuclear estiver
situada.

De acordo com anúncio feito pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão durante visita à Arapiraca, Alagoas, assim como Sergipe é um forte candidato, pois a usina deve ser construída ás margens do mar ou rio, visto que a água é fator crucial para seu funcionamento.

No Estado, são 230 quilômetros de praias e 200 de Rio São Francisco. Mas,
a instalação deve ser feita a uma distância de no mínimo 7 km de áreas habitadas, com o objetivo de evitar acidentes.


Utilizadas para fornecer energia a partir do calor da reação do combustível urânio, as usinas nucleares são consideradas seguras e pouco poluentes, embora já tenham ocorrido inúmeros acidentes pelo mundo, como em Chernobil, na Ucrânia, onde até hoje os índicess de pessoas com câncer e mutações genéticas são elevados.

O funcionamento da usina acontece quando a água de uma caldeira ferve e se transforma em vapor, movimentando uma turbina, que dá partida a um gerador e
produz eletricidade, reação conhecida como fissão nuclear.


Essa fonte de energia não emite dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, causadores do efeito estufa e nem dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, responsáveis pela chuva ácida, não liberando ainda, mercúrio e chumbo, ao contrário do que acontece com os combustíveis fósseis, resultando em uma energia "limpa".

Porém, órgãos de defesa do meio ambiente, como o Greenpeace são contrários a ela, pois os habitantes de áreas próximas a centrais nucleares têm revelado maiores
índices de problema de saúde, agravados pelo vazamento dos resíduos para a terra e lençóis freáticos.


O armazenamento e o transporte de um produto chamado Rejeito Nuclear, resultante da queima do urânio e que contém altíssimas quantidades de radioatividade, podendo causar leucemia e outras formas de câncer, é o grande problema dessas usinas, pois o resíduo demora cerca de 100.000 anos para perder a carga tóxica.

Nas usinas brasileiras de Angra dos Reis, ele é provisoriamente colocado em uma matriz sólida de cimento e mantido em recipientes de aço. A construção de silos de concreto no subsolo constitui uma alternativa permanente para esse lixo.

A professora de engenharia química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Carla Barcellos demonstrou ser favorável à instalação da usina no Estado, desde que o armazenamento do lixo atômico seja feito de forma segura.

Ela destacou ser necessário que a usina se instale em locais que tenham muita água, próxima a um rio, por causa do sistema de refrigeração e ainda, que não há comprometimento da vida marinha.


"É preciso saber que o vapor não tem contato com as fontes radioativas e empresas como a Brasken podem poluir mais do que uma usina nuclear, por produzir matéria e não energia. As hidrelétricas também exercem mais impactos no meio ambiente, por conta dos reservatórios e pelas inundações de algumas áreas e mudanças no curso das águas. A questão é o armazenamento dos resíduos, pois nada é 100% seguro, embora elas não produzam gases poluentes", explicou a professora.


O professor do Instituto de física da Ufal, Jenner Bastos disse que foi pego de surpresa com a notícia da possível instalação da usina nos canyons do São Francisco - entre as hidrelétricas de Xingó e Paulo Afonso - pelo local ter água em abundância e terra firme.

Ele ressaltou que se este projeto for viabilizado, deverá ser uma política
de Estado e não coisa de ocasião e que em uma região solar, a utilização menos predatória da biomassa e dos recursos hídricos constituem alternativas.

"Este anúncio pode ser mais um daqueles que surgem em épocas pré-eleitorais para sensibilizar potenciais eleitores. O desenvolvimento demanda energia, mas a nuclear não é a única saída. Qualquer forma de produção de energia acarreta impactos ambientais, que não devem ser polarizados para as camadas mais pobres. A questão
não pertence apenas aos especialistas e a população é extraordinária conselheira. O meu parecer de cidadão é pela não abertura dessa perigosa Caixa de Pandora", afirmou Bastos.

Bastos explicou que a energia nuclear envolve riscos, não tratando apenas da segurança e sim, do processo de conversão em calor e após isso, em energia elétrica, o que produz o chamado lixo nuclear, composto de substâncias radioativas que duram mais tempo do que a escala de vida humana. Logo, se trataria de um problema para o futuro, envolvendo muitas gerações.

"Não há locais 100% seguros para tais dejetos, motivo pelo qual a Alemanha está desativando gradativamente as suas usinas até 2021 e isso foi uma decisão com respaldo popular", destacou.


Segundo o secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Luiz Otávio Gomes a escolha dos Estados que receberão as usinas nucleares ainda não foi feita e a construção deverá acontecer somente em 2013, sendo finalizada em 2019.

"Se Alagoas for escolhida, esse investimento mudará nossa realidade econômica. Quem mais tem água no Nordeste somos nós e já marcamos para agosto uma visita à Eletronuclear, por estamos há uma ano e meio debatendo a questão. Em Pernambuco, Bahia e no Rio Grande do Norte estão sendo construídas refinarias e siderúrgicas e
não podemos ficar atrás. Até o final do governo Lula saberemos onde as
usinas ficarão localizadas", destacou.


O secretário explicou que quatro Estados têm mais chance e que depois dos estudos técnicos, a decisão da instalação é uma questão política, motivo pelo qual a bancada federal de Alagoas deverá se manifestar.

Sobre possíveis acidentes, Gomes disse que se trata de uma tecnologia segura e que desastres como o de Chernobil aconteceram porque a usina era arcaica e estava prestes a ser desativada. "A construção será acompanhada por órgãos ambientais e não influirám no nível do Rio São Francisco, caso seja situada lá".


O Brasil possui a 6° maior reserva mundial de urânio e a vantagem da energia nuclear é a produção de 10 milhões a mais de energia do que pela combustão de carvão ou petróleo. A fissão nuclear ganhou destaque após a Segunda guerra Mundial, com o lançamento da bomba atômica nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaky em 1945.

 

Fonte:  http://www.cadaminuto.com.br/noticias/noticias.asp?cod=16924  10/07/2009

 


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