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Nove capitais têm queda no preço da cesta

09/09/2009


Nove capitais têm queda no preço da cesta

Os recuos mais expressivos ocorreram em Natal (-3,22%), Aracaju (-3,12%), Fortaleza (-3,05%) e João Pessoa (-3,02%). Em Vitória, o valor para o conjunto de gêneros alimentícios essenciais manteve-se praticamente inalterado e sete localidades apresentaram alta, com destaque para Curitiba (2,30%) e Manaus (1,15%).

 

A aquisição dos itens básicos, em Porto Alegre, custou R$ 238,67, o maior valor dentre as cidades pesquisadas. Em São Paulo, o preço da cesta correspondeu a R$ 225,69 e, em Vitória, ficou em R$ 223,09. As cidades mais baratas foram Aracaju (R$ 168,06), Fortaleza (R$ 176,57) e João Pessoa (R$ 178,12).

 

Com base no maior valor apurado para a cesta e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o salário mínimo necessário. Em agosto, o valor do mínimo foi calculado em R$ 2.005,07, o que representa 4,31 vezes o mínimo em vigor, de R$ 465,00. Em julho, o piso mínimo era estimado em R$ 1.994,82 (4,29 vezes o menor salário pago), enquanto em agosto do ano passado correspondia a R$ 2.025,99, ou seja, 4,88 vezes o piso então vigente (R$ 415,00).

 

 

 

Variações acumuladas

 

Entre janeiro e agosto deste ano, apenas duas capitais – Belém (1,83%) e Recife (1,47%) – apresentaram aumento nos preços no período. Nas outras 15 localidades o custo da cesta registrou variação acumulada negativa, com destaque para Aracaju (-13,05%), João Pessoa (-11,18%), Rio de Janeiro (-10,86%) e Fortaleza (-10,52%).

 

Nos últimos 12 meses – de setembro de 2008 a agosto último – 12 das 16 capitais para as quais existem dados para o período registraram queda no preço dos itens essenciais.

 

As retrações mais significativas ocorreram em Aracaju (-9,58%), Curitiba (-8,03%), Belo Horizonte (-7,68%) e São Paulo (-6,41%). Vitória (7,26%) e Recife (5,80%) foram as cidades com maior aumento em um ano.

 

 

 

Cesta x salário mínimo

 

Para adquirir a cesta básica, o trabalhador que ganha salário mínimo precisou cumprir, em agosto, na média das 17 capitais pesquisadas, uma jornada de 96 horas e 37 minutos, ligeiramente menor que a exigida em julho (97 horas e 12 minutos). Em agosto de 2008, a mesma compra comprometia uma jornada bem maior, que chegava a 110 horas e 12 minutos.

 

Também pode ser notado pequeno recuo no percentual do salário mínimo líquido – após a dedução da parcela referente à Previdência Social – comprometido em agosto (47,73%), em relação a julho (48,02%). Na comparação com agosto de 2008, a redução é bem maior, pois naquele mês o comprometimento chegava a 54,45% do rendimento líquido.

 

 

 

Comportamento dos preços

 

Para a maior parte dos itens pesquisados, os preços caíram na maioria das localidades pesquisadas, o que contribuiu para que, em agosto, predominasse a redução no preço da cesta básica. Apenas para o tomate e a manteiga, com alta em 11 cidades a elevação dos preços foi majoritária.

 

Após registrar predomínio de queda, em julho, o preço do tomate subiu na maior parte das 17 capitais pesquisadas em agosto. Altas acentuadas foram verificadas em Goiânia (33,06%), Porto Alegre (31,22%), Curitiba (27,84%) e Rio de Janeiro (26,26%).

 

As retrações mais significativas ocorreram em João Pessoa (-19,39%) e Natal (-18,37%). No período de 12 meses, 13 localidades apresentaram elevação no custo do tomate, em especial em Natal (59,38%), Vitória (36,84%), Recife (33,79%) e Rio de Janeiro (29,89%), enquanto outras três cidades registraram diminuição no preço: Curitiba (-3,85%), Goiânia (-19,50%) e Aracaju (-28,84%). A intensidade das chuvas nos estados de maior produção prejudicou a safra do produto e, muito provavelmente, preços altos serão encontrados em setembro.

 

Os aumentos mais significativos no preço da manteiga foram apurados em Manaus (5,09%), Natal (2,65%) e Fortaleza (2,38%). Dentre as seis localidades onde o preço caiu, destacam-se Goiânia (-7,46%), Vitória (-4,55%) e Recife (-4,49%). Com o final da entressafra do leite – cujo preço já teve redução, em agosto, em 11 capitais, destacando-se o Rio de Janeiro (-13,24%) e só aumentou em seis cidades do Norte e Nordeste – a tendência é que também a manteiga fique mais barata. Na comparação com agosto do ano passado, porém, os dois produtos tiveram aumento generalizado, com alta do leite em 15 cidades e da manteiga em 13. Para o leite – que no final do primeiro trimestre deste ano teve fortes altas – o aumento em 12 meses chega a 62,70%, em Vitória e a 44,29%, em Porto Alegre.

 

Apenas em Brasília houve queda, de 7,46%. Quanto à manteiga, as maiores altas também ocorreram em Porto Alegre (28,54%) e Vitória (23,96%) e os recuos foram detectados em Curitiba (-9,67%), Aracaju (-6,64%) e São Paulo (-4,42%).

 

O preço do açúcar subiu, em agosto, em oito localidades, com os principais aumentos anotados em Salvador (9,55%) e Belém (5,52%). Houve estabilidade em Goiânia, Curitiba e Fortaleza. Dentre as seis capitais onde houve redução, o destaque foi Manaus (-9,62%). Catorze cidades tiveram elevação em 12 meses que variaram de 17,73%, em Aracaju a 71,05%, em Salvador. A valorização do real e a redução do financiamento devido à crise internacional têm afetado as exportações. Além disso, com a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul quase colhida e a proximidade do início da colheita do Nordeste, os preços devem ser reduzidos.

 

Dentre os itens em que predominou a queda nos preços está o óleo de soja, que ficou mais barato em todas as 17 capitais. As reduções mais acentuadas, em agosto, foram apuradas em Porto Alegre (-8,88%), Brasília (-7,26%), Vitória (-7,14%) e Aracaju (-7,09%). Já o menor recuo foi encontrado no Rio de Janeiro (-2,57%). Também na comparação anual, houve queda em todas as cidades pesquisadas, com variações entre -17,26%, em Florianópolis e -29,09%, em Vitória.

 

O preço do feijão retraiu-se em 11 localidades, em especial em Goiânia (-9,75%) e Belo Horizonte (-6,43%). Em Curitiba houve estabilidade e cinco capitais apresentaram alta, a mais expressiva em Natal (7,12%). Em comparação com agosto de 2008, o feijão ficou mais barato em todas as 16 capitais, registrando variações entre -29,34%, em Vitória e 58,04%, em Goiânia. Há um ano não havia pesquisa em Manaus. As boas safras do produto em 2008 e 2009 foram suficientes para abastecer o mercado consumidor, permitindo acentuada redução do preço. O período de plantio da safra das águas – que começa em agosto ou setembro, dependendo da região – está, aparentemente encontrando clima bastante favorável.

 

Onze capitais também registraram recuo no preço do pão, em agosto, o principal em Fortaleza (-3,87%). Nas seis cidades onde houve alta, esta foi inferior a 1%. Na comparação com agosto de 2008, também houve queda em 11 localidades, com taxas mais significativas encontradas em Fortaleza (-16,46%), Belo Horizonte (-9,93%) e Natal (-9,77%). Já entre as cinco regiões em que houve aumento, o destaque foi Goiânia (13,95%).

 

Pesquisada apenas no Centro-Sul do país, a batata apresentou queda em todas as nove capitais da região. Porto Alegre (-16,11%) teve a maior retração, enquanto a menor foi encontrada em Brasília (-5,00%). Em um ano, houve alta em sete cidades, em especial em Brasília (19,50%) e Vitória (17,16%). Reduções no preço foram apuradas em Goiânia (-4,20%) e Curitiba (-5,20%).

 

Em oito cidades, o preço do arroz caiu, em agosto. As retrações mais significativas deram-se em Aracaju (-5,16%) e João Pessoa (-4,03%). Goiânia, Curitiba e Belém registraram estabilidade, enquanto seis localidades apresentaram alta, em especial Rio de Janeiro (4,35%) e Porto Alegre (2,23%). Em um ano, o preço do arroz caiu em 15 capitais, com variações entre -32,17%, em Aracaju e -4,85%, em São Paulo. Apenas em Porto Alegre houve aumento (7,02%).

 

 

 

São Paulo

 

A capital paulista voltou a ter o segundo maior valor para a cesta básica dentre as 17 capitais pesquisadas, com o conjunto de produtos alimentícios essenciais custando R$ 225,69. Este valor representou uma queda de 0,65%, em relação a julho. A variação acumulada entre janeiro e agosto deste ano também foi negativa (-5,76%), o mesmo tendo se verificado em comparação com agosto de 2008 (-6,41%).

 

Sete dos 13 produtos que compõem a cesta básica pesquisada pelo DIEESE em São Paulo, tiveram queda em agosto: batata (-10,75%), feijão carioquinha (-5,48%), leite in natura integral (-5,08%), óleo de soja (-4,70%), carne bovina de primeira (-1,60%), farinha de trigo (-1,03%) e pão francês (-0,17%). Outros seis itens tiveram aumento, o mais expressivo verificado para o tomate (10,74%). Também tiveram alta café em pó (1,89%), manteiga (1,88%), arroz agulhinha tipo 1 (1,55%), açúcar refinado (1,38%) e banana nanica (1,01%).

 

Em 12 meses, nove itens tiveram queda no preço, parte deles bem expressiva: feijão (-54,00%), óleo de soja (-25,67%), farinha de trigo (-20,06%), banana (-14,59%), café (-12,80%), pão (-5,06%), arroz (-4,85%), manteiga (-4,42%) e carne (-0,32%). Leite (29,79%), açúcar (26,72%), tomate (8,94%) e batata (0,53%) foram os itens que registraram alta em um ano.

 

O trabalhador paulistano remunerado pelo salário mínimo precisou cumprir, em agosto, uma jornada de 106 horas e 47 minutos para adquirir o conjunto de produtos alimentícios essenciais. Em julho, a mesma compra requisitava uma jornada de 107 horas e 29 minutos. Em comparação com agosto do ano passado, o tempo de trabalho necessário é, agora, cerca de 21 horas menor, pois então chegava a 127 horas e 50 minutos.

 

O mesmo comportamento é verificado na comparação do custo da cesta com o salário mínimo líquido – após o desconto da Previdência Social. Em agosto, 52,76% do rendimento líquido era comprometido com a realização da mesma compra que em julho exigia 53,10% do mínimo líquido e em agosto de 2008 chegava a representar 63,16% do vencimento.

As perspectivas para os preços dos próximos meses estão relacionadas aos fatores climáticos. Após fortes chuvas nos meses de julho e agosto, a região Sudeste teve início um veranico que pode afetar o período de plantio da principal safra de grãos, principalmente feijão e arroz.

Fonte: Dieese

 


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