12/01/2010
Por: Agamenon Magalhães Júnior
Em ano de eleições, os alagoanos se preparam para mais um “possível” momento de transformação. O “possível” fica por conta da incansável esperança de quem há muito se desesperou com o estado de calamidade em Alagoas e aposta num amanhã melhor.
Apesar de eu ser bastante crítico, não sou pessimista. Só me obrigo a analisar o cenário atual com realismo, por mais repetitivas que sejam as ideias aqui expostas.
Que alagoano, por mais alheio à política que seja, não tem na ponta da língua os dez principais problemas estruturais deste estado? Que vizinho, sem ter muito o que fazer, num bate-papo informal, não já relacionou os cem maiores corruptos da política ou os dez casos mais escabrosos de desvio de dinheiro público?
As duas perguntas, de respostas óbvias, revelam-nos que consciência e informação não faltam à sociedade; pelo contrário, do mais “simples” sertanejo ao cidadão mais comum, passando pelo homem mais pobre, todos sabem de cor e salteado o que deve ser feito para se redirecionar o destino dos alagoanos.
Infelizmente, existe uma citação que retrata bem o (ainda) vergonhoso sistema político daqui. “Isso quanto mais muda, mais fica a mesma coisa”, escreveu Alphonse Karr (1808 - 1890). Por que, há décadas, os gestores públicos mudam e Alagoas continua nesse caos? Seria utopia querer escola pública digna, oportunidades de trabalho, hospitais equipados e segurança para todos? O “não” é simples como resposta e extremamente complexo como objeto de análise; porque esse “não” revela que muita coisa está errada - nos políticos, no sistema e em nós mesmos.
Quando o eleitor localizar falha em político, substituí-lo por outro nas eleições será a atitude mais inteligente. Política não é lugar para amadores, aventureiros ou pessoas de caráter duvidoso. Toda a base da sociedade (um tripé formado por Saúde, Educação e Segurança) sustenta-se por meio de ações e estratégias políticas, por isso não se pode querer senão o melhor administrador público para gerir com bom senso os recursos essenciais à população.
Numa análise sobre o sistema político-econômico do qual tomamos parte só me vem à cabeça a palavra “acomodação”. Por mais paradoxo que seja, o alagoano aceita passivamente as esmolas políticas e se habituou a político mau-caráter. Logo, por causa desse “costume”, também temos culpa pela situação em que nos encontramos. Quando a população reclama e não age, o verdadeiro poder (que deveria estar com o povo) permanece nas mãos sujas dos politiqueiros.
O petista James Magalhães de Azevedo completa o raciocínio: “Uma das maiores dificuldades em relação à política é conscientizar o povo de que o poder está com o próprio povo. É através das eleições que o cidadão escolhe a pessoa mais apta a gerir a ‘coisa pública’. O valor de cada voto tem uma importância significativa para a transformação social. O cuidado com quem se escolhe para ocupar um cargo público deve ser redobrado, haja vista a mudança pela qual a população almeja”.
Nenhuma situação social é tão miseravelmente longa e avassaladora que não seja superada por quem lute por um estado democrático. Falta-nos um pouco de orientação. E se as estrelas existem para que elas nos orientem, fixemos os olhos para a maior delas (brilhante e vermelha), deixando-a apontar o caminho para Alagoas crescer.
Fonte: O Jornal, Maceió, sábado, 09 de janeiro de 2010
Colaboração: James Magalhães