13/04/2010
Certas imagens são tão ultrajantes que se perpetuam no imaginário coletivo como símbolos. Ninguém esquece aquele cara dos Correios - como é mesmo o nome dele? - pegando com patinha de lobo um bolinho de 3 mil reais e botando no bolso do paletó. Era Maurício não sei o que, já me esqueci, e a opinião pública também. Mas aquela cena ninguém esquece.
Depois da CPI dos Correios, mensalão, sanguessugas, Satyagraha, Boi Barrica, Navalha ( por onde andam o Waldomiro, o Zuleido Veras e os Vedoin do Dossiê? Estamos com saudades), o tal Maurício foi demitido e ficou tudo por isto mesmo. Mas quem o mandou para lá continua mandando, e defendendo a eficiência do monopólio estatal.
Na pressão e no sufoco, com o esquemão ameaçado, providências cosméticas foram tomadas, alguns funcionários afastados, mas o aparelhamento e a ineficiência impune continuaram como antes. O resultado está se vendo agora: quase um terço das cartas enviadas é entregue com atraso ou some, provocando grandes prejuízos aos que confiavam neste serviço, que até há alguns anos era considerado eficiente. Hoje, parece o Senado.
Como é um monopólio estatal, ou “do povo“, como dizem os estatistas, o prejudicado é o próprio povo, que não tem nenhuma alternativa e nem a quem cobrar. Quem paga os constrangimentos e os prejuízos dos que perderam prazos e pagaram multas e moras por culpa dos Correios? E os bons pagadores que ficaram inadimplentes?
O efeito colateral do aparelhamento e da corrupção é a ineficiência, porque desmoraliza e desestimula os funcionários honestos e eficientes e provoca um processo de deterioração dos serviços. Como ocorre nos Correios.
Perguntem aos que usam serviços privados e competitivos como o FedEx ou o DHL se as suas correspondências – no mundo inteiro - chegam atrasadas ou somem? Nunca, porque senão eles se desmoralizam e quebram. Por que essas empresas conseguem cumprir seus serviços e os Correios – com todas as vantagens do monopólio e os sacos sem fundo das verbas publicas – não? A explicação começa com as inesquecíveis imagens de Maurício e sua patinha de lobo.
FONTE: Jornal O GLOBO(
MEUS COMENTÁRIOS:
*James Magalhães
Nós que fazemos parte do quadro dos Correios lembramos o nome de Maurício Marinho, pivô dos escândalos que levaram o nome da ECT a bancarrota com o seu vergonhoso ato que completará cinco anos agora em maio de dois mil e dez.
De lá para cá, tornaram-se diárias as notícias difamatórias acompanhadas das justas reclamações da população sobre a queda na qualidade dos serviços prestados pelos Correios gerando questionamentos pela imprensa de todo o Brasil a cerca da viabilidade do Monopólio Postal.
Lembro-me que na greve de
Por que agora a mídia nos bombardeia e a direção da ECT fica calada? Quem são os verdadeiros responsáveis por essa reclamação generalizada da população e os consequentes questionamentos sobre o Monopólio? Mais uma vez pergunto: por onde anda o movimento nacional dos "homens e mulheres de preto" realizado no dia vinte e cinco de julho de dois mil e oito contra o pagamento dos dias parados dos grevistas? Vistam-se de preto agora contra os diretores da ECT que estão sucateando a empresa.
Engraçado é que aqui em Alagoas fizemos um grande Ato Público em defesa dos Correios no último dia sete de abril em várias cidades simultaneamente, além da Capital. Porém, alguns gerentes ainda tiveram a idéia de fazer com que compensássemos as horas paradas, mesmo sabendo que estávamos defendo também a questão do Monopólio, interesse não só nosso, mas deles também. Entretanto, após a insatisfação da categoria e a ação do Sintect-AL, mudaram de idéia com uma frase esdrúxula ("... sensibilizada com os anseios dos nossos colaboradores decidiu em reunião realizada na tarde de hoje, suspender a compensação das 03 (três) horas..." ). Ora, os anseios são de todos, independentemente de quem participou ou não do Ato.
Finalizando, pela enésima vez exigimos: gestores atrapalhados da ECT, honrem com a nossa conquista de cinco de agosto de dois mil e nove no Supremo e façam o Concurso Público imediatamente, parando com essa emrolação sobre os trabalhadores e os que se inscreveram nessa novela sonhando em trabalhar nos Correios.
* é secretário de Comunicação do Sintect-AL