24/04/2010
(Agamenon Magalhães Júnior)
Sábado passado (17/04), o Editorial de O JORNAL me chamou a atenção. Intitulado “Escola sitiada”, o texto descreve o domínio do tráfico em escolas públicas desta cidade, em especial as de periferia. “Que não se duvide em Alagoas do poder do tráfico. Ele não difere muito dos criminosos de facções dos grandes centros urbanos”, alerta-nos o editor-geral, como que nos dissesse que o Estado chegou ao fundo do poço.
O poder público está perdendo a guerra contra as drogas e, entre mortos e feridos, vê-se sangue jorrado por todos os lados da sociedade; em especial sangue de inocentes. Por que o traficante tem facilidade em chegar até os adolescentes e, sem maiores obstáculos, astúcia em fazê-los escravos da maconha e do crack? Simplesmente não existe infraestrutura nos setores vitais da sociedade. À medida que o governo vem se tornando apático perante a educação, os bandidos tomam conta daquele adolescente largado na escola, que na essência é uma pessoa fácil de ser aliciada. A vulnerabilidade dos jovens é logo percebida pelos criminosos.
“Segurança pública” e “educação”. Duas palavras que se entrelaçam numa relação íntima. E mais: não consigo desassociar este caos público por que passa Alagoas da responsabilidade política. Há anos não existe planejamento político para essas duas áreas. Com policial pessimamente remunerado e sem a menor estrutura para exercer sua profissão com decência e escolas públicas mais parecidas com pocilgas – o Estado vive nessa letargia sem fim, cujos responsáveis são os engravatados eleitos pelo povo.
O que fazer então? Qual a saída mais inteligente para essa situação insuportável? A resposta está na renovação política por meio do voto!
O poder do voto representa não só o exercício pleno da democracia, mas também a expressão absoluta de liberdade do povo.
Sou de um tempo em que a ação cívica do voto tinha uma representatividade inalienável. A escolha dos representantes do povo tinha um sabor de autoridade do cidadão para a sociedade. Um poder que só a democracia poderia nos oferecer.
Essa ideia mudou com o tempo. Elege-se hoje político como quem se escolhe um pinguim de geladeira, uma peça decorativa, cujo papel dele em nossa vida “inocentemente” achamos secundário.
Quando testemunhamos escolas sendo sitiadas por traficantes, jovens sendo levados ao consumo de entorpecentes – sem que haja atitude por parte dos órgãos públicos – aí percebemos que “tipo” de político nós escolhemos para resolver esses problemas sociais. Não nos enganemos: a democracia, por si só, não tem força para, num passe de mágica, transformar o inferno no céu; ela precisa vir acompanhada de um povo consciente e de políticos sérios. Disso não podemos fugir.
O único elo entre o cidadão e uma sociedade digna se observa no ato de votar. Quando o povo não interage, sofre as mais graves penas – físicas e morais. A responsabilidade do povo perante os rumos da coletividade se personifica através da escolha dos representantes públicos. São eles que cuidam de nós. Como em um mosaico, a sociedade é formada pelo comprometimento de cada cidadão. Cada ato maduro e comprometido se transforma em benefício para todos; cada atitude individual e oportunista se reverte negativamente não só para quem a pratica, mas para todos da sociedade.
Um provérbio grego cai bem aqui: “O início é a metade do todo”. A sentença documenta a dificuldade de se começar algo de natureza complexa; entretanto, quando se dá o primeiro passo, o caminho torna-se menos íngreme. Que o cidadão, nas eleições, dê esse primeiro passo em direção à mudança.
(O Jornal, Maceió, sábado, 24 de abril de 2010)
Colaboração: James Magalhães