01/07/2010
O presidente dos Correios, Carlos Henrique Almeida Custódio, assegurou ontem, após reunião com a chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, que os serviços prestados pela empresa vão melhorar nos próximos dias. Segundo ele, já está em fase de finalização a contratação de duas empresas para normalizar o serviço de entrega na região Nordeste, o que deve acontecer nos próximos quinze dias. "Passamos pela crise porque, da noite para o dia, sete das dez aeronaves que faziam o serviço de entrega deixaram de voar. O que posso afirmar a vocês é que, agora, nossa capacidade operacional está recuperada".
Custódio esquivou-se do debate sobre a reestruturação da empresa, cobrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que está a cargo da Casa Civil e do Ministério do Planejamento. O presidente da ECT declarou que esse tema será abordado em outra reunião, envolvendo diversos ministérios, como o das Comunicações. "O meu encontro com a ministra Erenice foi para demonstrar os números da empresa, que nunca estiveram tão bons do ponto de vista financeiro e econômico", declarou.
Mesmo assim, ele defendeu a criação de uma subsidiária - proposta que deverá vir por meio de uma medida provisória em estudo no governo - e reconheceu dificuldades para a empresa atender a grande demanda de entrega de cargas. Reclamou da burocracia e da lentidão para a contratação pelas regras da Lei 8666, que regulamenta as licitações no país. "Temos de rever esse modelo. A licitação atrapalha, quer dizer, não é que atrapalhe, porque é uma lei. Mas a licitação tem prazos, tempo para recursos. E quando uma carga é urgente, ela acaba sendo comprometida por essa demora".
Custódio citou o caso da TAF Linhas Aéreas, que deixou de operar repentinamente. "E outras empresas foram consideradas inidôneas pelos órgãos de controle, o que atrapalhou ainda mais os nossos serviços". O executivo lembrou que, quando a crise eclodiu, procurou outras empresas nacionais para fazer o serviço de entrega, mas TAM e Gol recusaram-se a substituir as empresas consideradas irregulares. Custódio apresenta outro argumento para defender a subsidiária. "Pela lei de cabotagem, nós estamos proibidos de fazer licitações internacionais para entregas de cargas".
Fonte: Jornal Valor Econômico - 30/06/2010