01/07/2010
*James Magalhães
No último dia 15 de Junho de 2010 mais de 180 milhões de brasileiros estavam na expectativa pela estréia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Dentro desse universo de pessoas estavam mais de 100 mil trabalhadores (funcionários dos Correios) com uma ansiedade a mais na mesma hora do jogo.
Pouco antes de a seleção brasileira entrar em campo, estavam reunidos o Presidente Lula, o Ministro das Comunicações e o presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio. A expectativa de grande parte dos funcionários dos Correios era pela saída de seu capitão donatário. Este ao longo dos anos tem gerado insatisfação por sua gestão desastrosa. Porém, diante de declarações e ações postuladas dias antes, o quadro que se desenhou foi pela sua permanência, demissão mesmo só de outros diretores.
Essa tinha sido a segunda reunião, visto que a primeira marcada para o dia 11 não acontecera. Foi aí que o senhor CHC ganhou tempo para tentar salvar o seu pescoço através de jogadas políticas. Aproveitou o ensejo e deu uma declaração a imprensa, no mínimo estranha, ao afirmar que não havia crise em sua gestão e que "ninguém se incomoda com o fracasso, o que incomoda é o sucesso". Ou seja, quis dizer que nos Correios está tudo uma maravilha e tudo que se fala de mal referente a sua gestão é pura inveja, justificando o que disse com os números cada vez maiores do lucro ano a ano. Só esqueceu de dizer que a qualidade nos serviços é tão, ou mais, importante que o lucro - até porque a empresa não deveria ter fins lucrativos.
Nem mesmo a carta envida pelos diretores regionais (diga-se de passagem, tardiamente.) e incentivada pelo diretor de operações foi motivo para o mesmo sair, pois o tiro acabou saindo pela culatra e acertou em cheio o idealizador da mesma. Era tudo que Custódio queria, apesar das broncas e insatisfações contidas.
Voltando a reunião do dia 15, CHC entrou em campo, assim como a seleção, com várias críticas nas costas vindas de todas as direções. Porém, soube virar o jogo. Graças aos "treinamentos" (jogadas políticas) que fez durante o fim de semana conseguiu convencer o Ministro e, consequentemente, o Presidente Lula para permanecer na Estatal.
Portanto, o presidente da ECT, assim como a seleção brasileira, deu um "olé" e ganhou a sua primeira "partida" (permanência no cargo) com dois "gols" (demissão de dois diretores que seriam a causa de toda bagunça). Talvez o único "gol" que o Presidente Lula tenha feito seja a declaração de que "transformar a Estatal em S.A. está descartada", pelo menos por enquanto!
Apesar das comparações, continuamos na expectativa pela vitória da seleção brasileira no mundial e pela derrota daqueles que realmente estão transformando a ECT num caos.
· é secretário de Comunicação/Sintect-AL