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Conversa para defunto

27/07/2010


 

(Agamenon Magalhães Júnior)

 

Diz o senso comum que a violência cresce à medida que a pobreza se desenvolve. Essa explicação simplista não nos convence, pois existem países bem mais pobres do que o Brasil e não tão violentos.

A violência se manifesta em todos os estados do País, embora seja aqui em Alagoas que ela encontre o melhor ambiente de atuação. Todo dia acontecem fatos como homicídios, agressões, crimes sexuais, roubos, assaltos e indecorosidades do “colarinho branco” - tudo registrado nos noticiários e nos programas sensacionalistas daqui.

É fato: quando se pensa em ações políticas que resolvam (ou amenizem) esse caos urbano em que vivemos, um candidato ao governo estadual se saiu com essa pérola: “Vou resolver o problema com a construção dezenas de presídios”. Resolução tão genial quanto “contar histórias ao pé do ouvido de um morto”. Essa expressão latina cabe bem no contexto porque indica uma ação absolutamente desprovida de sentido e eficácia; também se coloca entre os ditos que revelam tagarelice vã.

Em ano de eleição, esse fato serve para o eleitor distinguir os politiqueiros de plantão dos homens públicos que sejam capazes de, com inteligência e estratégia governamental, reduzir a violência.

Somam-se às ações políticas as exigências vindas da população e, por fim, teremos uma sociedade menos vulnerável à força devastadora da violência.

Compete à autoridade política criar constantes soluções para o combate à violência; entretanto, o que se vê são medidas paliativas - cuja estrutura se apresenta inútil.

A sociedade se reformulará - e por consequência vai controlar a violência - quando investir maciçamente na educação. Refiro-me à educação em seu sentido mais amplo.

Da valorização do professor ao aumento de recursos para o sistema educacional, passando pelo incentivo à pesquisa científica, a engrenagem do processo educativo precisa de atenção e de respeito, além da seriedade por parte dos governantes.

Existem bons exemplos de algumas metrópoles brasileiras que decidiram combater a violência através do melhor tratamento possível: investimento. Esse investimento só tem resultado a longo prazo, mas funciona. Pesquisas revelam que grandes centros urbanos reduziram pela metade os índices de criminalidade porque entenderam a importância de iniciativas concretas nessa área.

Pela televisão, assistimos às piores barbáries, principalmente no Sudeste do Brasil. Nós nos assustamos com o sangue derramado diuturnamente por lá, com a frieza dos assassinos ou com as dezenas de cadáveres desovados pelos recantos das cidades.

Tenho um irmão que mora há alguns anos no Rio de Janeiro. Sempre insisti com ele para que voltasse para Alagoas, não só por motivos afetivos, mas também por causa da violência de lá - que é mais exacerbada. Com a tranquilidade que lhe é peculiar, meu irmão Fábio Magalhães responde: “Guardadas as devidas proporções, acho Alagoas mais ameaçadora do que o Rio. A violência e a criminalidade estão em todas as partes e em todos os lugares, porém existe na capital alagoana um torpor por parte da população quando a violência bate à porta; no Rio, os crimes são pontuais, quero dizer, existe certo ‘mapeamento’ da criminalidade e há mobilização social dos cidadãos envolvidos ou não com o terror da violência. A banalização dos crimes em Alagoas já ganhou ares de normalidade, a indignação não se apresenta de forma a ganhar força, nem chega a mobilizar a população a ponto de se traçar um esboço de mudança dessa situação”.

Comecemos a combater a violência nessas eleições, elegendo políticos engajados nesse compromisso social, e não nos esqueçamos de exigir-lhes depois resultados. O elo entre política e organização social é indispensável para que deixemos de ser essa espécie de horda supostamente organizada.

  

(O Jornal, Maceió, sábado, 24 de julho de 2010)

 

 Não se esqueçam de que os meus ensaios estão, aos sábados, no Portal de O Jornal (www.ojornalweb.com)

Colaboração: James Magalhães/Secretário de Comunicação/Sintect-AL

 


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