27/07/2010
Na noite da última quarta-feira, 21 de Julho, aconteceu a abertura do 29º Conrep (Conselho de Representantes da Fentect), nas dependências da Contag, em Brasília. Participaram do evento, representando o Sintect-AL na condição de delegados, os companheiros Flávio "Show" e Marlene Duarte. Altannes Cleidy e James Magalhães estiveram presentes como observadores.
Na abertura o secretário geral da Federação, José Rivaldo, deu boas vindas a todos, ressaltando que o debate durante o encontro deverá ocorrer através da unidade da categoria. O representante do sindicato anfitrião também saudou a todos e enfatizou os problemas principais vividos pela categoria. O secretário de Anistia da Fentect, João Maria, falou sobre o debate em torno do futuro da categoria, independente de divergências políticas. A secretária de finanças da Fentect, Amanda Corcino, frisou que deve prevalecer a luta das mulheres ecetistas e a união dos trabalhadores. Jacó, do Conlutas, ressaltou a crise mundial e o papel dos trabalhadores dos Correios, criticando ainda a política do governo. Marquinhos, da CTB, falou da conjuntura político-nacional e a relação política com os trabalhadores. Jaci Afonso, da CUT, expressou a capacidade da atual direção da Fentect de reunir várias correntes políticas no congresso dos trabalhadores - o que, segundo ele, não é fácil. já o representante do PCO, Antônio Carlos, fez duras críticas a direção da Fentect e ao governo, que para ele, um seria a extensão do outro.
No dia seguinte, 22 de Julho, ocorreu um impasse na hora do credenciamento. Segundo a maioria da direção da Fentect, os delegados de Belo Horizonte e Espírito Santo, estariam irregulares e seus respectivos sindicatos estariam com pendências financeiras há 10 anos, mais especificamente com relação ao pagamento a Secretaria de Anistia. Fundamentada no Estatuto, a direção da Fentect não permitiu o credenciamento destes delegados - o que gerou um início de tumulto e discordâncias. Algumas lideranças, em solidariedade aos impedidos de credenciamento, sugeriram que a liberação deveria ser feita e dentro do congresso, toda a plenária julgaria os recursos. O impasse durou todo o dia, onde não se chegou ao consenso, perdendo-se toda a quinta-feira.
Na sexta-feira, 23 de Julho, a direção da Fentect resolveu credenciar, numa sala a parte, apenas os delegados que, segundo sua visão, estariam regulares. Alguns que estariam aptos se recusaram em protesto pelos que estavam impedidos. Ao tentarem se dirigir para o auditório, parte dos que estavam credenciados foram barrados por parte dos que não estavam, começando um tumulto geral e bate-boca. A polícia foi acionada e 3 representantes de cada lado foram dar explicações ao delegado.
Enquanto isso, os que foram credenciados se encaminharam para o auditório através de uma porta de emergência, já que a porta principal estava tomada por aqueles que discordavam da atitude da Federação. O congresso deu continuidade com aproximadamente metade dos delegados presentes.
Foram relatadas, no auditório, as propostas para a jornada de luta deliberada no Encontro Nacional das Mulheres, entre elas:
- Abono acompanhante;
-Melhores condições de trabalho para as mulheres ecetistas;
-Treinamento no local de trabalho sobre assédio moral e assédio sexual;
-Auxílio educação para filhos até 14 anos;
-Diminuição do peso da bolsa de carteiro feminina de 8 para 6 kg;
-Retirada do teste físico para mulheres no concurso;
-Nota de repúdio ao Diretor Regional do Distrito Federal que não liberou as delegadas para participarem do encontro.
Logo após foi feita a prestação de contas, onde após vários debates e até resalvas, foi aprovada por unanimidade pela plenária.
O tema anistia também foi amplamente abordado tanto pelo secretário da Fentect, quanto pelos representantes da comissão em questão.
Em seguida foram aprovadas várias deliberações, entre elas:
-Encaminhar documento a candidata Dilma, condicionando a mesma o compromisso de se posicionar em defesa dos Correios como empresa estatal, pública e de qualidade, bem como ser contrária a qualquer tipo de terceirização, privatização ou transformação em S.A.;
-Elaborar documento denunciando o sucateamento dos Correios, terceirização, desmonte e péssimas condições de trabalho a ser encaminhado as Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas, Congresso Nacional e Centrais Sindicais como forma de moção;
-Organizar conferência nacional sobre os Correios nos moldes da conferência da juventude e saúde;
-Exigir a retomada de negociação com a ECT sobre temas importantes como saúde, condições de trabalho e segurança;
-Acelerar as contratações através do concurso público, com prioridade para os anistiados;
-Lutar pela aprovação da PL do Dep.Vicentinho, nos moldes da Comissão contra a quebra do monopólio e da PLC/083/07 da Dep. Maria do Rosário que se refere aos anistiados;
-Negociação de fato da PLR com critérios claros bem definidos;
-Lutar pela democratização do Postalis com participação paritária de representantes dos trabalhadores na direção;
-Entrega de correspondências pela manhã nas regiões onde os trabalhadores fazem essa reivindicão;
-Lutar junto com as centrais sindicais pela igualdade entre homens e mulheres;
-Fortalecer a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário.
O Sintect-AL reafirma a sua posição de lutar em defesa dos trabalhadores e lamenta as confusões ocorridas no congresso, que só mancha o nome da nossa entidade maior, a Federação. Ressalta ainda o profundo desejo de unidade da categoria pelas reivindicações que não devem ser postas de lado por brigas políticas sejam de quem for. A luta continua, com o pé no chão, porque temos a consciência que assim como existem pessoas sérias dos dois lados também existem as que só querem tumultuar as lutas em troca de exclusivo palanque para seus candidatos, esquecendo o principal sentido dos sindicatos, que é a luta e a defesa dos trabalhadores.
Saudações Sindicais,
James Magalhães
Secretário de Comunicação/Sintect-AL