12/08/2010
(Agamenon Magalhães Júnior)
Avalia-se o cabedal de conhecimento de um jovem por meio de dois aspectos principalmente: a aprendizagem que ele consegue na escola e a experiência que adquire na vida. Concentremo-nos no segundo ponto: a bagagem cultural de que a juventude se utiliza fora do ambiente escolar.
Em geral, é preocupante: há pouco tempo, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) publicou uma pesquisa sobre as atividades dos jovens e os números revelam a face ignóbil não só do jovem, mas de toda a sociedade. De todos os jovens ditos ativos, mais de 70% nunca estiveram num teatro; 39% nunca foram ao cinema; 85% nunca visitaram um museu; 55% nunca frequentaram uma biblioteca fora dos muros escolares e mais de 80% só acessam a internet procurando entretenimento ou pornografia. Para completar o panorama, o jovem lê um livro por ano - se não tiver muitas páginas.
Muito além do que o jovem será não cabe hoje apenas à sala de aula; mas sobretudo caberá à cultura geral à qual ele se ligue. O hábito - iniciado em casa - de frequentar lugares que o enriqueçam culturalmente deve ser tratado com mais seriedade, e não como um luxo dispensável. Fazer um roteiro de um museu a outro, programar sessões de filmes edificantes, ensinar os bons caminhos da internet ou lhe indicar exposições culturais - tudo, enfim, fará com que ele amadureça e se prepare para um mercado de trabalho implacável com quem não se instrui.
O quadro agrava-se quando se constata que poucos são os jovens dispostos a investir dinheiro em, por exemplo, livros. E não adianta questionar: esse problema tem raízes familiares cujas consequências se voltam depois contra a própria sociedade.
Os pessimistas continuam analisando a situação com a perspectiva do agravamento desse caos. Não sou tão descrente assim. Lido com essa questão-símbolo da sociedade ainda esperançoso, porque não é tão complicado reorganizar caminhos que direcionem os jovens para o universo educacional, tampouco acredito que (com bons projetos, disposição de órgãos públicos e consciência familiar) não precisemos de muitas e muitas gerações para subjugar a bestialidade juvenil. Assim mesmo, de grão em grão, com pequenas, mas fortes atitudes.
Quando o país perceber que a sociedade só melhorará no momento em que houver cuidado com a parte educacional dos jovens, viveremos bem. E o jovem só chegará à maturidade feliz e útil quando se conscientizar de que não deve negligenciar sua parte cultural, exigindo (de tudo e de todos) o que lhe cabe por direito.
Não é tão difícil a construção de uma nova realidade social. Vez ou outra, eu dou aula filantrópica e, de propósito, escolho sempre um feriado ou final de semana. A última aula de que me lembro eu a marquei para um sábado chuvoso, às 8h. Pensei que eu iria explicar gramática para meia dúzia de gatos-pingados. Engano meu. Às 8h30 já não havia cadeira desocupada no auditório, o ambiente estava cheio de jovens que se prontificaram a acordar bem cedo, pegar ônibus numa manhã fria e enriquecer sua cultura.
Percebe-se que a garotada, para crescer, precisa de alguém que lhe inspire pelo bom exemplo e de quem o trate com respeito e responsabilidade.
As grandes revoluções começam com pequenas atitudes. Com planos inteligentes e redirecionamento de valores sociais, poderemos formar uma juventude preparada e forte o suficiente para amenizar as aberrações da própria sociedade e apta a corrigir os erros dos homens. Apostamos todas as cartas neles, os jovens.
(O Jornal, Maceió, sábado, 7 de agosto de 2010)
Não se esqueçam de que os meus ensaios estão, aos sábados, no Portal de O Jornal (www.ojornalweb.com)
Colaboração: James Magalhães/Secretário de Comunicação/Sintect-AL