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Correios de Alagoas: problemas do Agreste ao Sertão

06/09/2010

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Se os trabalhadores dos Correios de Maceió, que ficam mais próximos da Diretoria Regional, sofrem com a sobrecarga de trabalho e um "sem-fim" de problemas, os companheiros do interior também sofrem bastante. Com a distância, muitas vezes, se sentem como filhos abandonados. Sentem também as consequências da má administração dos Correios e o que é pior, não são atendidos em seus pedidos.

Um giro por várias cidades do interior dá a dimensão do quanto sofrem os trabalhadores e também a população que deixa de ser atendida com qualidade, não por culpa dos funcionários ecetistas que estão lá na ponta, mas por uma burocracia que domina a gestão da ECT.

A começar por Feira Grande, que desde abril o fax continua quebrado (praticamente 6 meses) fazendo com que a questão das guias de exames demorem mais para aqueles trabalhadores. Em Craíbas, durante as férias do carteiro (30 dias), as correspondências só não ficaram totalmente paradas porque um carteiro da já tão sofrida Arapiraca se deslocava duas vezes por semana para tratá-las, cobrindo um santo e descobrindo outro. Como o distrito que esse carteiro trabalha em Arapiraca não é moleza (assim como na maioria da cidade), ele teve que ir a Craíbas apenas um dia por semana e no fim de semana um grupo, já cansado de tanto trabalho, fazia mutirão no sábado para entregar.

Em Girau do Ponciano, o carteiro continua fazendo o serviço que seria para dois e não é de hoje que a administração sabe disso.

Já em Batalha há a promessa antiga de mais um atendente para que possa minimizar a sobrecarga para o que lá trabalha.

Nas cidades de Jacaré dos Homens e Monteirópolis, com o pedido de demissão do único carteiro das duas cidades, as correspondências abarrotaram por uns 60 dias. Mutirões foram feitos, mas foram apenas paliativos, deixando também os trabalhadores com curto espaço para descanso no fim de semana.

Em Delmiro Gouveia, dentre outras necessidades, há que se contratar urgentemente um OTT para auxiliar tanto os carteiros quanto os atendentes, que perdem tempo fazendo serviços que poderiam ser feitos por esse profissional.

Na querida Olho D‘água das Flores quando um dos dois carteiros da cidade entrou de férias o outro passou por um sufoco muito grande. Nem é preciso dizer que o mesmo trabalhou dobrado, sem obviamente conseguir dar conta de toda demanda - o que agravou a entrega durante pelo menos uns 40 dias. Até porque, quando um voltou de férias o outro teve que sair dando continuidade ao mesmo problema. Foi muito difícil o período para esses trabalhadores que pediram, pediram, mas não foram atendidos pelos gestores. Espera-se que nas próximas férias não ocorra o mesmo fato.

Em Santana do Ipanema há a necessidade de pelo menos mais um guichê. Já em Olivença quando chegam as contas da Eletrobrás/distribuidora Alagoas o carteiro fica no maior sufoco. Em Canapi e Maravilha a mão de obra temporária, infelizmente, assim como em outras cidades, não consegue dar conta do serviço, acarretando mais problemas na distribuição. Por falar em Maravilha, os funcionários é quem pagam do bolso a água que bebem durante o dia, assim como acontecia em outras cidades, sugerimos que a água possa ser enviadas pela LTR de Arapiraca, pois não é justo que até para matar a sede esses trabalhadores tenham que arcar com esse ônus.

Na cidade de Senador Rui Palmeira há uma vaga pendente para mais um atendente desde fevereiro. O carteiro dessa cidade é o mesmo de Carneiro e quando entrou de férias as duas cidades ficaram com a distribuição parada. Em Inhapi aconteceu quase a mesma coisa durante os primeiros 10 dias das férias do carteiro, sendo que nos dias seguintes resolveram colocar alguém, o que poderiam fazer antes e também em outras cidades.

Já em Mata Grande, desde que um funcionário faleceu (atendente) o outro está no sufoco. Há ainda a falta de material para o carteiro (boné,tênis e bolsa).

Na agência de Água Branca há infiltração no prédio e o atendente já se afastou com problemas sérios de saúde por causa disso. O mesmo tem que trabalhar com a porta aberta e no calor. Fica então o dilema: se ligar o ar, respira mofo e pode agravar sua saúde; se deixa a porta aberta, sofre com a temperatura. Segundo informações,a  direção da ECT fez apenas um paliativo que não resolveu de fato o problema.

Em Olho D‘água do Casado precisa-se de carteiro urgente, pois quem faz as entregas são as atendentes, tendo que ligar para os clientes e de certa forma deixando de fazer outros serviços de suas áreas. Já em Piranhas acontece a mesma situação de outras cidades, quando um carteiro sai de férias o outro trabalha dobrado.

O descaso geral para com os trabalhadores do interior é bem claro no depoimento do companheiro Felipe, de Canapi. Ele refere-se a manchete da última Carta Ecetista: "A sobrecarga de trabalho não acontece só no CDD Ponta Verde e com os carteiros, mas em todas as agências da ECT e principalmente nas agências unipessoais. Estas estão irregulares e a cada dia que passa mais e mais beneficiários são direcionados para nossas agências e mais e mais serviços são criados e continuamos apenas com um atendente. Esta semana fui a um médico que me confessou que nunca atendeu tantos funcionários de uma mesma empresa com os mesmos problemas.Vai aqui meu alerta e quase que pedido de socorro para que com esse novo concurso essas agências recebam reforço. Pois nessa guerra, estamos lutando sozinhos, perdendo e com muitas baixas." Concluiu com muita razão o gerente da AC/Canapi.

Arapiraca: um descaso que continua

A cidade de Arapiraca, no coração do Agreste alagoano, tão importante para o desenvolvimento e crescimento de Alagoas, não tem recebido a devida e merecida atenção das Diretorias Regionais que passaram por Alagoas. Parece sempre um capítulo de uma história que nunca tem fim: os tão conhecidos atrasos de correspondências, duramente criticados pela população agrestina.

Enquanto isso vários gestores (existem exceções) que passaram e continuam na gestão (só mudaram de cadeira) ignoraram o fato. Inclusive um que ficou conhecido em Arapiraca como aquele que dedurou um colega pra subir de cargo, caiu da cadeira, mas voltou pros braços de Alagoas. Este sabe bem da realidade da cidade, mas também preferiu ignorar o fato. Achou que era "conversa de sindicalista" e não deu uma resposta para os problemas à sociedade arapiraquense.

"O que há contra Arapiraca?" Perguntam desde os funcionários mais antigos da cidade, até os mais novos, que percebem o quanto é difícil trabalhar de carteiro na cidade.

Trabalhar como carteiro em Arapiraca infelizmente virou sinônimo, para muitos de outras cidades, de "inferno". E não estamos aqui fazendo nenhum exagero, afinal, muitos que vieram de outros estados e cidades circunvizinhas comentam isso. Houve caso até de carteiro que preferiu pedir demissão a "ter que ir trabalhar no município.

O problema não se resume somente ao CDD. Sabemos que uma cidade com mais de 210.000 habitantes não pode ter apenas cinco guichês na sua Agência Central dos Correios, é sobremaneira pouco para atender a demanda da cidade. Então sofrem também os atendentes. Com o possível fechamento de uma das duas ACF‘s existentes na cidade, nos próximos meses, a situação no atendimento tende a piorar. Afinal, ao mesmo tempo que entendemos que estes clientes devem migrar para a agência Central, como importante fonte de receita, a quantidade de atendentes não é suficiente para atendê-los.

Não custa nada relembrar que em maio de 2007 a DR/AL recebeu um relatório contendo reivindicações feitas pelos funcionários de Arapiraca através dos representantes sindicais. Em novembro do mesmo ano, o gerente do CDD/Arapiraca também fez um relatório com sua visão dos problemas que afligem a cidade e pasmem: o próprio gestor escreveu textualmente que trabalhar do jeito que estava era "um inferno", confirmando o que os trabalhadores vinham falando. Ou seja, esses relatórios passaram nas mãos de muitos que sabem da situação há muito tempo.

Até quando Arapiraca vai continuar sofrendo? Quando os trabalhadores dessa cidade tão importante do interior poderão ter o direito de pelo menos sair do inferno e ter uma rotina de trabalho normal?

Enfim, nossos companheiros das regiões Agreste, Bacia Leiteira, Médio Sertão e Alto Sertão, assim como toda Alagoas sofrem com as péssimas condições de trabalho. A não realização do concurso não pode e nem deve ser a desculpa para a não resolução de diversos problemas existentes.

Saudações Sindicais,

 

James Magalhães

Secretário de Comunicação/Sintect-AL

Responsável do Sintect-AL pela Subsede de Arapiraca


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