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Concurso dos Correios

14/12/2010


 

 

Editorial Jornal Folha Dirigida:

 

Insistindo no erro

 

Os Correios tomaram, tardiamente, a decisão correta: cancelar o concurso que atraiu um milhão de candidatos era a única opção sensata, face à insegurança jurídica, reforçada pelas recomendações do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público. Merecem aplausos também o recebimento de sugestões por telefone e e-mail e a audiência pública, dia 16, destinada a aperfeiçoar a minuta do edital padrão das próximas seleções, a primeira das quais, para substituir a anulada, está prevista para o próximo mês.

O estrago já estava feito, causando enormes prejuízos à imagem e às finanças da empresa, assim como aos usuários, mas ainda é possível a recuperação, se o novo concurso for preparado com a seriedade merecida, o que parece não ser o caso. Deixar a definição do organizador para depois das inscrições é repetir o grave erro da edição anterior, pondo em risco o cronograma e,portanto, a reposição de pessoal e a normalização dos serviços.

Nenhum outro concurso é feito dessa forma, e a ECT não pode ter a pretensão de reinventar a roda. Primeiro, porque o edital tem de ser elaborado em sintonia com o organizador, seguindo critérios do contratante, mas também a legislação específica e os métodos do contratado. Além disso, as licitações costumam ser demoradas, ainda mais quando é impetrado recurso, e pode haver desinteresse das principais instituições especializadas em particular da concorrência, por medo do desafio de um mega concurso, pela necessidade imperiosa de êxito pleno ou por discordância da metodologia adotada pelos Correios.

A indefinição do organizador prejudica a preparação dos candidatos, dada a diversidade de critérios para elaboração de provas e correção,desestimulando muita gente-que vê o "novo" concurso com descrédito-, apesar do aumento de vagas.Uma pena,como também é lamentável que,após um ano de indefinição, a taxa dos desistentes só seja devolvida a partir de 10 de Janeiro.

 

Coluna "Ponto de Encontro"-Jornal Folha Dirigida:

 

Apagão Postal I

Em junho deste ano, o Ministério do Planejamento autorizou o aumento do quadro dos Correios para 117.097 funcionários. Como recente auditoria do TCU constatou a existência de 102 mil, há, pelo menos, 15.097 vagas. Aliás, os auditores ressaltaram que a falta de carteiros e operadores de triagem,associada à demora para realizar concursos, é a principal causa do apagão postal. "Este foi um ano negro para os Correios", resumiu o relator,ministro José Jorge.

Apagão Postal II

O apagão postal resultou em explosão de reclamações dos usuários, assim como de indenizações por atraso ou não recebimento de encomendas. A média mensal, que foi de R$ 399 mil em 2009, saltou para R$ 1 milhão no semestre passado, prejuizo que seria bem maior se todos os clientes se queixassem à ouvidoria.

Apagão Postal III

Já que não poderá contar com os concursados tão cedo, espera-se que a ECT, pelo menos, contrate os temporários com transparência, divulgando amplamente, com a maior antecedência possível, localidades com vagas, prazos, locais de inscrição, critérios de seleção e listas de aprovados.

Apagão Postal IV

Com o imbróglio dos Correios, a Fundação Cesgranrio, contratada sem licitação, perdeu um contrato de R$ 26 milhões. Agora, a intenção é aplicar as provas regionalmente,em datas diferentes, como informou o presidente da estatal, Davi José de M atos, à diretoria da Federação Nacional do setor.

 

FONTE: Jornal Folha Dirigida (10 a 16 de Dezembro de 2010)

 

COMENTÁRIOS:

 

Em Agosto de 2009 um gestor da ECT, ao fazer comparações do efetivo de funcionários dos Correios do Brasil com outros países, fez a seguinte afirmação:  "...nós temos apenas 112.000 funcionários e isso é brincar de fazer Correios, temos que aumentar consideravelmente nosso efetivo para pelo menos disputar mercado com outras multinacionais que estão no Brasil". O que será que ele diria hoje com apenas 102.000?

Com relação ao edital, é necessário mudar a redação anterior quanto às atribuições do carteiro que divergiam de parte do PCCS negociado pela Comissão dos trabalhadores (no edital ainda citava a questão do carteiro ser obrigado a vender e no PCCS negociado foi retirada essa parte quando fala que o mesmo só participa de vendas de forma eventual e opcional, sem compor o plano de metas do empregado). Este era o sonho dos antigos diretores da ECT, Bifano e Custódio: implantar o “carteiro vendedor”.

Vale lembrar ainda que o próprio Manual Interno da ECT (Manpes) é bem claro (MANPES 5/3 - subitem 11.1.1) quando diz que ANTES da abertura de inscrição para concurso dos Correios deve-se escolher a organizadora. Ou seja, a própria Direção dos Correios insiste em descumprir seu próprio estatuto interno que é tão utilizado quando é para penalizar o trabalhador. Aí nós perguntamos: cadê a Ginsp (Gerência de Inspeção) que é tão defensora e zelosa do Manpes?

Saudações,

James Magalhães

Secretário de Comunicação/Sintect-AL


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